terça-feira, 12 de maio de 2009

podia acabar o mundo

e eu só me dava conta uma semana depois.... enterrada no meu gabinete kafkiano, onde os processos se reproduzem a uma velocidade alucinante, tentando seguir regras não escritas, crípticas, mas óbvias e absolutamente necessárias para qualquer funcionário (parece mesmo uma cena tirada do Processo)... dizia eu, não saberia do fim do mundo... ainda não percebi onde se compram jornais, na terra em que anda tudo de carro e que às dez da noite se torna numa cidade fantasma, dou comigo preocupada com com a adequação de determinados factos ao artigo do Código Penal que não me sai da cabeça, enquanto compro detergentes... ah e estão 9 graus lá fora... as senhoras da limpeza, que andam sempre aos pares, dizem cheias de orgulho, isto é verão doutora! - descaem-se nos sorrisos generosos - apostam consigo mesmas como não aguento cá um inverno.

3 comentários:

Petit Bourgeois@Villa disse...

estou a ver que temos Romance... e a julgar pelo parágrafo, a Virginia Woolf não faria melhor!

jinhos e saudades

Catarina disse...

Estou a ver que por aí as coisas nâo estão faceis amiga! Força e estou só à distancia de uma tecla....

Tony disse...

Quando aí cheguei, no dia 6 de Janeiro do longínquo ano de 1986, os termómetros marcavam 9 graus, às 2 da tarde...
À noite, o frio no quarto era igual ao da rua.
O vento uivava, como só o vento das Terras do Demo sabe uivar!
As idas nocturnas ao restaurante do Senhor Manuel eram autênticas provas de esforço, sobretudo quando as ruas ficavam cobertas daquele branco suave, da neve acabada de cair.

Mas saí daí, 1 ano e meio mais tarde, com saudades...
Voltaria, de bom grado, a essas terras e a esses anos doirados da minha vida.
Só me resta desejar o mesmo a si, Senhora Doutora Menina!