sexta-feira, 13 de junho de 2008

Foto dos dias (take #1)
Atravessei Lisboa durante o jogo de Portugal, não tinha a máquina comigo... não fotografei os 20 e muitos homens engravatados de olhos vidrados no ecrã que partilhavam o espaço de um café minúsculo; nem a senhora no banco do passageiro - num dos poucos carros que vi circularem àquela hora - que ia a fazer figas com as duas mãos; nem o tritão da rotunda deserta que empunhava heroicamente uma bandeira de Portugal; nem os empregados que, na montra de uma loja de móveis viam o jogo através de uma televisão minúscula; nem os cafés e as esplanadas desertos por não terem televisão, nem as tascas apinhadas por terem um ecrã plasma; nem a senhora que parou quando se ouviram os festejos pelo segundo golo de Portugal, e que imediatamente sorriu e disse "temos de ver quem marcou"...
A foto destes dias representa o impasse permanente: acordar, sentir pelas frestas da janela que o verão chegou, olhar para a secretária e saber que tenho de escrever um número inacreditável de palavras, saber que fico sempre presa no que leio e que levo muito tempo a avançar para a primeira frase...

3 comentários:

Álvaro Esteves disse...

Não costumo dizer "ai", mas... Ai! só de pensar que quando regressar a casa tenho que arrumar a minha secretária, i. é, tirar tudo o que está lá de cima, mais tudo o que está em baixo e pôr tudo "desarrumadinho" debaixo da cama, para poder ir escrever, como tu, um número atordoante de palavras...

Se eu tirasse uma fotografia à minha secretária, ninguém ia perceber que aquilo era uma secretária porque a) não tiro fotos tão bem como tu; b) "aquilo é mesmo uma secretária?"; e deve haver mais c) e d) dos quais não me lembro.

9:35, gotta go! Já tou uma hora e cinco minutos atrasado!

marie disse...

adoro estes textos descritivos que nos fazem mergulhar na acção!
realmenre foi uma pena n teres a makina ctg!

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Tony disse...

O artigo está óptimo, a fotografia também.
Mas tem de concordar, pela sua recente experiência, que ver o jogo em grupo tem, também, a sua poesia...
E provavelmente, daria um bom estudo socio-antropológico e comportamental...