quarta-feira, 1 de julho de 2009

coincidências

















Não sei se é do silêncio, mas esbarro com coincidências subtis, como se as mesmas histórias andassem a ser repetidas, susurradas, presentes em tudo o que faço... o Tchítchikov sem moral de Gogol foi substituído pelo Consul de Lowry. A visão do inferno repete-se. A vontade de redenção está opressivamente presente em Geoffrey, o inexorável falhanço certo desde a primeira página. Sem surpresa a salvação nunca chegou a ser uma possibilidade nas Almas Mortas. Conclusão: não há finais felizes. O sentimento de angústia aloja-se num canto escondido da minha memória. Nos Morangos Selvagens de Bergman vejo que Marianne veio tomar o lugar Yvonne. A imagem das mulheres sofridas, impenetráveis cola-se ao espírito como uma sombra, a angústia alastra-se.

2 comentários:

lpb disse...

o meu momento semiconspirativo: a angústia é um mecanismo social de controlo que pretende açaimar os seres humanos habilitados a mudar a realidade. E o pior é que açaima mesmo, até se tornar uma corrente, depois uma jaula, depois uma penitenciária.

E a moral também não passa de um constructo.

E o dever.

E a crueldade.

E o pedantismo.

E...

Beko disse...

Tens que arranjar um vício debilitante como o absinto. Ainda há esperança para a escritora que vive dentro de ti!