domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre cadernos

Um post sobre cadernos, o critério é simples, estes têm de ser suficientemente pequenos e maleáveis para caberem dentro do bolso das calças ou do casaco de inverno. Achei piada, gostei de ver por ali perdida uma marca portuguesa.... e porque ainda não me habituei a escrever sempre no PC, porque as minhas malas são sempre enormes e no meio de todas as coisas "essenciais" que arrasto comigo para todo o lado também costuma estar um caderno, comecei a ver se algumas das marcas se encontravam em Portugal. De repente dei comigo a passar de blog em blog, onde as virtudes dos mais variados cadernos são exaltadas até ao absurdo, há quem vá de propósito a Paris abastecer-se deste bem essencial, só use uma marca de cadernos combinada com uma marca canetas... enfim, parvoíces que de blog para blog têm em comum o profundo desprezo pelos moleskines (vai-se lá saber porquê?! provavelmente porque não é preciso ir a Paris para os comprar...). Das coisas mais extraordinárias que descobri foi a obsessão pela qualidade do papel dos ditos (andam por aí milhões de cadernos que não servem para escrever, quem diria!). Que seja preciso um tipo de papel específico para desenhar ainda acredito, para as longínquas aulas de desenho ainda me lembro de ir carregada com a pasta A3 onde guardava o famoso bloco de papel Cavalinho... folhas grossas e enormes capazes de resistir aos borrões de aguarelas ou guaches que teriam certamente trucidado qualquer outro tipo de papel... como nunca tive muito jeito para desenhar não faço ideia de quais são as tendências actuais relativamente aos cadernos destinados a esta arte. Agora, escrever?! No dia que descobrirem cadernos destinados a transformar o comum dos mortais num autor intemporal avisem-me, pode ser que a marca também venda cadernos próprios para a elaboração de teses de Mestrado excepcionais.

6 comentários:

Petit Bourgeois@Lx disse...

Se calhar, o segredo das teses de mestrado excepcionais está aqui:

http://www.monocle.com/sections/edits/Web-Articles/The-Perfect-Desk/

cadernos, canetas, etc de paris a tóquio. tudo recomendado pela impossível Monocle.


ou então a ver tv durante o fds.
beko was right: "you wish!"

I wish he wasn't!

Anne-Laure et Lisa disse...

Hello Adri
si tu as l'occasion d'aller regarder ce site :
http://www.chrisjordan.com/
C'est la coqueluche des journaux intellectuels français en ce moment et très dans la tendance.
A bientôt à Cologne
ALaure

paperdoll disse...

por acaso já sabia disso, pessoal que vai a paris abastecer-se de cadernos e canetas de determinada marca... (se calhar quem me contou viu precisamente nos mesmos sites). mas que preciosismo ridículo!

eu uso sebenta. oh yeah.

paperdoll disse...

pretensiosismo. era isso :p

CHIQUITA BANANA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CHIQUITA BANANA disse...

"Havia também uma pilha de cadernos alemães e outra de cadernos portugueses. Os cadernos portugueses exerciam sobre mim um fascínio muito especial e eu sabia que não resistiria àquelas capas duras, àquelas linhas quadriculadas, àqueles cadernos costurados de papel robusto, sólido, imune a todo o tipo de borrões. Eu sabia que acabaria por comprar um caderno português: bastaria pegar num deles, bastaria senti-lo nas minhas mãos e eu não resistiria. Não havia neles nada de luxuoso, nada que desse nas vistas. Não, aqueles cadernos eram muito simplesmente um artigo prático – resistente, despretensioso, útil, de maneira nenhuma o livro em branco que poderíamos escolher como prenda para um amigo. Mas eu gostava do facto de serem encadernados a pano, e também gostava da forma: vinte e três centímetros e cinquenta por dezoito centímetros e quarenta, o que os tornava um pouco mais pequenos e largos do que a maior parte dos cadernos. Não sei porquê, mas a verdade é que achava essas dimensões profundamente satisfatórias, e, quando peguei pela primeira vez no caderno, senti algo que se assemelhava ao prazer físico, uma súbita e incompreensível irrupção de bem estar. (...)"

Paul Auster