sexta-feira, 17 de setembro de 2010

novo vício: tasteologie

A mais recente plataforma da notcot chama-se tasteologie.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

também Shaw

era fotógrafo, o espólio pode ser consultado aqui (visto no ípsilon)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

a fazer lembrar a twilight zone

Quem estava comigo desesperou. Só para quem gosta de ficção científica à antiga.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

das leituras

Tentei explicar isto no outro dia e talvez isso explique muita coisa. Ao contrário da maioria, os meus anos oitenta não foram famosos, desde a indumentária foleira, às cassetes dos mini stars, a única coisa que se safava era eu ser uma miúda feliz. Época áurea das fotografias de família, apareço sempre a sorrir, contente com a vida. Quanto à literatura: tinha revistas aos quadradinhos do tio patinhas e os livros da Anita; nesses tempos o meu verdadeiro orgulho era a colecção invejável de barbies, impecáveis e cheias acessórios.


Na altura em que devia ter começado a ler calhou não haver nenhum professor de português na zona e o meu pai, que acredito ter feito das tripas coração – mas que nunca teve muita paciência nem jeito para aquilo -- lá fez as vezes do professor primário que me faltava. Sentar-me na mesa da sala para a lição diária passou rapidamente a ser uma tortura de laivos kafkianos, eu não percebia a lógica daquilo, não sabia sequer o que era suposto estar a aprender e só a muito custo um “t” e um “e” se transformavam em tê... Resultado: só quando tive uma professora a sério é que a coisa começou a funcionar.


Quando estava na segunda classe, quis o destino que os meus pais me tivessem de largar às 8h da manhã na escola, continuo a achar que era à minha mãe que custava mais essa minha hora de espera até as aulas começarem e com isso ganhei pontos e por pontos entenda-se cem escudos para comer um bolo no café do outro lado da rua. A senhora era simpática, eu tinha 7/8 anos e um sorriso capaz de desarmar quem quer que fosse. Os cem escudos rapidamente começaram a ser desviados dos bolos para os livros. O plano era o seguinte: Aos fins-de-semana, na secção dos livros do supermercado, escolhia um volume da colecção “uma aventura” e dava os quinhentos escudos ao meu pai, a minha mãe começou a desconfiar, mas não percebia de onde é que vinha o dinheiro e, por uns tempos, o plano resultou às mil maravilhas. Este foi, sem dúvida, o meu momento mais apaixonado pela literatura. Nada de leituras vanguardistas, nada de livros paradigmáticos da literatura infanto-juvenil (daqueles que aparecem em listas altamente reputadas tipo o moby dick). Era uma miúda feliz e a minha grande dúvida existencial da época - que eu me lembre - tinha aparecido uns anos antes e resumia-se ao seguinte: duvidava da existência do peter pan - sim o filme da disney teve algum impacto e, na dúvida, durante uns meses deixei a janela do quarto destrancada.


Não sei se esta introdução fará sentido para alguém, mas antes de escrever o que se segue quis deixar claro qual foi o momento em que percebi que gostava de ler.


Nunca gostei da expressão “leio compulsivamente”.

Não gosto da expressão, porque é exagerada. É aquele exagero bacoco – não sei se me faço entender, é como quando nos perguntam pelos nossos defeitos, a resposta “sou teimoso” é a escolha invariável– o ler compulsivamente tem disso, aquela auto-censura cínica, nem que eu quisesse conseguiria evitar ler tanto - segue-se sempre um sorriso contido e sobranceiro - aquele defeito é sobretudo uma virtude e ler compulsivamente é melhor do que só ler.

São normalmente estas as pessoas que seguem diligentemente as inúmeras listas dos livros a ler - os melhores do ano, os melhores do século, os recomendados pelo blog/revista da moda, os melhores sempre desconsiderados pelos cânones clássicos, mas que são verdadeiramente os melhores - e nunca se vêem com um livro que não tenha sido previamente aprovado por alguém que percebe do assunto. E tendo sido aprovado, não se discute. Exalta-se, enaltece-se, fica-se sem palavras... mas nunca se discute.


Eu não leio compulsivamente, desde que aprendi a ler e comecei a trocar bolos por livros, só leio, sem desmesura.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

recomeçar

setembro à porta. são resquícios de outros tempos, acho sempre que o ano começa agora.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

versão moderada

depois das dicas sobre como despachar dolorosamente quem nos mói o juízo a m. - que diz que a sorte do tipo é eu ser boa pessoa, ah! - manda-me esta ilustração: a alternativa moderada, para pessoas boazinhas ;)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

hoje

Retirado daqui (se alguém a quiser oferecer para eu emoldurar e pôr no gabinete, agradeço. porque há gente que ainda não percebeu que tudo o que eu quero é que me deixem sossegada - não, não gosto de pessoas e não preciso de mais amigos).

sábado, 14 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

leituras

- Tinha acontecido o que tinha de acontecer - diz Santiago. - Eu julgava que já tinha acontecido e só acontecera essa manhã.
Tinham estado juntos toda a manhã, um bichinho como uma cobra, não tinham ido às aulas porque Jacobo lhe tinha dito quero falar contigo a sós, uma cobra afiada como uma faca, tinham caminhado pelo Paseo de La República, uma faca como dez facas, tinham-se sentado num banco da fonte do Parque de la Exposición. Pelas faixas paralelas da Avenida Arequipa passavam automóveis e uma faca entrava muito levemente e outra saía e voltava a entrar devagarinho, e eles avançavam pela alameda que estava escura e vazia, e outro como num pão de côdea finita e muito miolo no seu coração, e de súbito a vozinha calou-se.

[...]

Era outro que falava, pensa, não eras tu. A voz um pouco mais firme agora, mais natural, Zavalita: não era ele, não podia ser ele. Compreendia, explicava, aconselhava duma altura neutral e pensava não sou. Ele era uma coisa pequenina e maltratada, uma coisa que se encolhia debaixo dessa voz, uma coisa que se escapulia e corria e fugia. Não era orgulho, nem despeito, nem humilhação, pensa, nem sequer ciúmes. Pensa: era timidez. Ela escutava-o imóvel, observava-o com uma expressão que ele não sabia nem queria decifrar, e de repente tinha-se levantado e tinham percorrido calados meio quarteirão, enquanto, tenazes, silenciosas, as facas continuavam a carnificina.

Mario Vargas Llosa, Conversa n'A Catedral

sábado, 7 de agosto de 2010

I♥Niepce




Edward Hopper
Summer interior
1909

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

dos presentes dos outros

At Work


The new world of photography


National Geographic
Greatest Portraits


queixo-me do preço dos livros de fotografia. acabo sempre a comprar ensaios. ou ficção.
uma vez por ano fazem-me a vontade.
a inspiração é oferecida e eu calo-me. com um sorriso contido.




efémero



ainda à procura de inspiração para as paredes.

mais sobre a miso aqui.


terça-feira, 27 de julho de 2010

inspiração

o final da tarde foi dedicado aos projectos impossíveis, regados com o melhor chá fresco de lisboa. esta era a inspiração de que te falava: Aires Mateus, casa em lisboa, 2009, e Alberto Caetano, apartamento em lisboa, 2009, as fotografias perfeitas aqui (reportagens 325 e 321).

a cor de uma noite de verão

a data aproxima-se inexorável. a m. pede-me que não me junte ao clube dos 27. disso não há perigo. na música não dou uma para a caixa. de resto mantém-se o bicho. melancólico, sussurra: ainda não é isto.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

leituras (continuação)

Gabriele Basilico
Beirut, 1991

(Charlotte Cotton, the photography as contemporary art)

leituras (continuação)

Desiree Dorlon
Cerca Paseo de Martì, 2002


(Charlotte Cotton, the photography as contemporary art)

leituras (continuação)


Wim Wenders
Wall in Paris, Texas, 2001


(Charlotte Cotton, the photography as contemporary art)

leituras

The aim of this book is not to create a checklist of all of the photographers who merit a mention in a discussion on contemporary art, but to give a sense of the spectrum of motivations and expressions that currently exist in the field.

Charlote Cotton, the photography as contemporary art

terça-feira, 6 de julho de 2010

uma casa no chile






leituras

All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person's (or thing's) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time's rentless melt.


Though an event has come to mean, precisely, something worth photographing, it is still ideology (in the broadest sense) that determines what constitutes an event. There can be no evidence, photographic ore otherwise, of an event until the event itself has been named and characterized. And it is never photographic evidence which can construct - more properly, identify - events; the contribution of photography always follows the naming of the event. What determines the possibility of being affected morally by photographs is the existence of a relevant political consciousness. Without a politics, photographs of the slaughter-bench of history will most likely be experienced as, simply, unreal or as a demoralizing emotional blow.


Quotations

Your photography is a record of your living for anyone who really sees. You may see and bee affected by other people's ways, you may even use them to find your own, but you will have eventually to free yourself from them. That is what Nietzsche meant when he said, "I have just read Shopenhauer, now I have to get rid of him." He knew how insidious other people's ways could be, particularly those wich have the forcefulness of profound experience, if you let them get between you and your own vision. - Paul Strand


If I could tell the story in words, I wouldn't need to lug a camera. - Lewis Hine


Susan Sontag, On Photography

rocambolesco

inesperado

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Amalfitano

"Depois entrou na casita como se lhe faltasse o oxigénio e tirou de um saco de plástico, com o logótipo do supermercado onde ia fazer as compras semanais, três molas de roupa, que ele se obstinava em chamar «cãezinhos», e com elas pendurou o livro num dos cordéis e voltou a entrar em casa sentindo-se muito mais aliviado.

A ideia, claro está, era de Duchamp."

Roberto Bolaño, 2666

terça-feira, 29 de junho de 2010

lucidez

Everywhere I go, I'm asked if I think the universities stifle writers. My opinion is that they don't stifle enough of them. There's many a best seller that could have been prevented by a good teacher.

Flannery O'Connor

(é daquelas frases que levo sempre comigo, mesmo quando não me lembro das palavras exactas. fica aqui o registo, para não me voltar a esquecer)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

a primeira





E este foi o melhor e-mail do ano:

Já está montada... já podes vir visitar...

vai a
www.atleticocp.pt (contactos, tens lá o mapa)


A minha explicação:
- A5 Cascais
- Saída Monsanto
- Rotunda à esquerda (passa por cima da A5)
- Rotunda à esquerda, direcção Alvito
- Sempre em frente até passar o Alvito (descida com vista para o Tejo)
- Na descida à um corte à direita para a Piscina
- estou lá a partir das 17h30

As piscinas do atlético clube de portugal celebram a semana da saúde com um conjunto de actividades, entre elas uma exposição de fotografias minhas :) Estão mesmo na entrada, bem acompanhadas por poemas do Fernando Pessoa (escolhidos por quem se lembrou disto tudo, o Pedro Vidal) se puderem, passem por lá.

eu não resisti

terça-feira, 8 de junho de 2010

procura-se inspiração (ainda)




insónias curam-se com doses de inspiração

à procura da inspiração para as paredes ainda vazias, sei que gostava de ter pelo menos uma foto da m. e outra da paperdoll, para além do que não me canso de ver todos os dias, vou descobrindo coisas novas. inspiração no mais ou menos desconhecido.
ando vidrada na última ilustração - a mais barata e a mais vazia - do vasco mourão (sempre gostei de zeppelins) e descobri recentemente as fotos da sandra juto - de uma berlim que me faz lembrar o meu irmão.
depois também há isto e isto e isto também...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

das pausas



põe-se a leitura em dia e não se larga a janela... mesmo sem vista, com o céu azul a entrar por uma fresta, ouve-se a conversa das vizinhas e o fado improvisado. ando com vontade de comprar um manjerico e fotografar o santo antónio onde as sardinhas são de graça e o bailarico é piroso como tem de ser.

work in progress


as caixas, os sacos, as prateleiras por montar, os cabos espalhados, os tachos, as panelas, os lençóis, as toalhas e os livros e os livros por ordem alfabética (não há cá misturas).