quarta-feira, 13 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
leituras
O conhecimento amontoa-se em frases. Repara: a literatura também é isto. O conhecimento não se acumula em imagens. Só o alfabeto tem memória a que chamemos inteligente.
Gonçalo M. Tavares, A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil
(Ainda não percebi se ando a tentar provar ou refutar esta ideia.)
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Hoje o dia foi muita coisa, coisa a mais, provavelmente. As coisas que moem guardo-as num lista à parte, raramente vêm aqui dar e ainda bem, porque eu gosto de cá vir. Das coisas boas de hoje:
1) Os 5 (!) dípticos para a exposição estão escolhidos (convido desde já os parcos leitores deste blog a darem um salto à inauguração que será a 10 de Julho). Ficou de fora este, não sei se concordo, se não, mas confesso que me veio um sorriso aos lábios quando refutaram o argumento de que este seria mais político que os outros dípticos, não combinando, por isso, com o resto do conjunto: "Olho para o queque e vejo o Passos Coelho, a política está lá."
2) Noutro registo completamente diferente, senti-me lisboeta como há muito não me sentia, estive meia hora a discutir as marchas com a senhora da secretaria, ao que parece não pregou olho o fim-de-semana inteiro para ver os ensaios gerais e eu que voltei a não ter bairro, escolhi instintivamente apoiar a marcha do castelo (percebo agora que não podia ser outra).
p.s. continuo com os mesmo problemas técnicos ao apresentar este trabalho (lado a lado é que devia ser), dedicar-me-ei assim que possível a aprender a pôr isto direito.
domingo, 3 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
the big brother is always watching you
A
primeira cicatriz de que me lembro é a que tenho no joelho esquerdo. Da altura mais desportista da minha vida, era
perita em dar as voltas mais rápidas ao bloco de prédios onde vivia, na bmx
vermelha – a bicicleta mais cool jamais inventada. Andava, na época, preocupada
em saber subir passeios e descer a
rampa mais íngreme da zona, que acabava – obviamente – numa curva de 90.º ou,
para os mais nabos, directamente no muro da escola. Saber fazer aquela curva
era tudo o que contava. (Admito desde já que todas as cicatrizes que fiz se
reportam a esse tempo bem delimitado em que ninguém me fazia frente… depois disso
deixei-me de acrobacias e dediquei-me aos livros – a ler, entenda-se.)
Mas
voltando a essa primeira cicatriz, lembro-me perfeitamente do joelho esfolado,
do frasco de betadine mágico e daquele que era sempre o momento determinante –
a altura de arrancar a crosta. O controlo sobre o período exacto de
convalescença era meu; nesse tempo não importavam as consequências – a horrível
cicatriz; importava, sim, ficar impecável novamente e pronta para a próxima
corrida.
Agora
que os tempos são outros, através da maravilha que é a tecnologia – devíamos todos
saber “the big brother is always watching
you” (ler os clássicos vai dando
jeito para as pequenas surpresas da vida) – descobri que quem nos arranca as crostas –
virtuais, diga-se, que nada disto é visceral, mas isso é outra conversa – são os
outros. Parva com a descoberta de que ando a
ser diligentemente seguida por quem não me conhece, mas que decididamente acha
que me vai conhecer por aqui (os números impressionantes de páginas visitadas e
a cadência obsessiva dessas mesmas visitas é obra que merece a banda sonora do Psycho em jeito de homenagem), deixo aqui algumas notas que penso poderem ser de
interesse:
1) Houve uma altura da minha vida
em que uma bmx vermelha directamente entregue pelo pai natal (não, os meus pais
não eram pós-modernos) era o meu maior orgulho;
2) Também eu já me diverti a
arrancar crostas à espera que ficasse tudo bem, mas rapidamente descobri que as
cicatrizes notam-se sempre e são coisa pouco sexy;
3) Depois dessa época bem sadia da
minha vida, mas muito pouco produtiva, dediquei-me aos livros e só posso
aconselhar o mesmo caminho – uma voltinha ao bilhar grande e umas boas
leituras, acredita, dá mais frutos do que se andar a perder tempo por estas
paragens.
amanhã, sempre amanhã
Adiamento
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...Sim, o porvir...
Álvaro de Campos
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
work in progress
Por enquanto é o único díptico escolhido, será exposto lá para Julho.
(informação técnica: as fotografias deveriam estar lado a lado, como num verdadeiro díptico, mas sou tecnicamente bastante naba nisto das publicações on-line. Perante a pergunta: Porquê? Fica a resposta: são duas fotografias que se complementam; de um lado um objecto, do outro um texto; a segunda não serve de legenda à primeira. Expô-las lado a lado é garantir-lhes a mesma dignidade fotográfica.)
segunda-feira, 14 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
há na
repetição algo de reconfortante. despidas do seu sentido original - porque
repetidas até à exaustão - até as pequenas humilhações, que sempre me pareceram
as mais infames, se tornam suportáveis.
(a
outra hipótese é estar a perder a batalha. também pode ser isso. eu que nunca
ganhei nada.)
sem
surpresa, sorri generosamente a cada condescendência. engoli, sem me engasgar,
a frase da praxe. também sou isto.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
em abril chovem coisas boas
Depois de ter sido publicada uma pequena fotogaleria minha no rascunho eis que a dupla lina & nando me menciona no "oh! isto é tão contemporâneo".
segunda-feira, 2 de abril de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
rotina
volto a ter como passagem obrigatória a descida até à estação dos anjos. descida ao anjos. outro nome para o purgatório. desvio o olhar das putas da esquina. olho para o outro lado, mas não há maneira de não descer. e a descida é passagem solitária. é carruagem definida, que não descarrila. desde o que voltei a descer ao limbo apenas uma vez me foi negada entrada. suicídio. nestes casos o portão fecha-se e a estação fica consigo mesma, a tratar dos seus mortos. dos mortos que incomodam os vivos. que lhes negam os seu purgatório diário.
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