sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
great ones
Gisèle Freund, James Joyce with Adrienne Monnier and Sylvia Beach, at Shakespeare and Co, Paris, 1938. Silver-based black & white print, 25,6 x 36,5 cm. Collection Famille Freund © Gisèle Freund / IMEC / Fonds MCC (exhibition at Fondation Pierre Bergé Yves Saint Laurent, Paris)
Obrigada pai, esta fotografia valeu-me o dia.
das pessoas
parece que tiro poucos retratos. tenho um mês para tratar disso. tirar retratos. passei quatro meses a tirar fotografias a lugares vazios, que têm gente, nota-se nos pormenores. agora tenho de as fotografar e ando em pânico, como é que se aponta uma máquina a um estranho? passei timidamente por estes senhores para apanhar a fotografia anterior. exigiram, com um sorriso, serem fotografados. mesmo perante o pedido directo, senti-me intrusa. a ver vamos, no que isto vai dar.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
recomeçar
hoje recomecei o que deixei de molho desde Junho. recomecei com um balde de água fria.
35 exercícios diferentes até à próxima segunda-feira (para cada um, uma foto num rolo de slides de 36, não há cá espaço para segundas tentativas)
até Fevereiro 4 projectos conceptuais diferentes, o primeiro é para Novembro.
mas o que me assusta, o que me assusta mesmo, é escolher três fotografias do ano passado e defendê-las, depois de amanhã, perante o escrutínio glaciar dos meus colegas...
p.s. post 1001 deste blog. xerazade parou por aqui. foi o que pensei quando reparei no número. talvez seja um sinal.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
houve alguém que uma vez me disse que não podia ser de lisboa. lisboa era terra de ninguém. perguntou-me pelas origens. um pai e uma avó da terra de ninguém também, um avô de trás-os-montes. e a outra metade? a outra é inteira da terra das casas caiadas de branco. e não há lugar que me encha mais as medidas.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
repescar
Lido
2008
por estes dias as fotografias têm sido apenas hipóteses. as imagens têm-me fugido entre os dedos. olho com desconfiança para as que, ainda assim, vou acumulando.
(repesquei esta, em jeito de homenagem, a um festival de cinema que por ai anda.)
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Anna Skladmann’s "Little Adults"
Vadim on His Roof Terrace, Moscow 2009
"When we came up to the rooftop, it was a beautiful sunny and crisp midday. Vadim asked me how many photos I was planning to shoot, and I answered “maximum ten.” As the flash lit up, he slowly counted to ten in his head. After the ten frames of my first roll were finished, he went back inside, put on his pajamas and asked for a cup of tea so he could sit in front of his television in peace. Naturally, I had wanted to shoot ten rolls of film, not just ten frames."
Eva in Her Living Room, Moscow 2009
"When I came to photograph Eva, she was at home with her two nannies, one British and one Russian. She had planned everything in advance: the dress she had chosen hung already perfectly ironed and pressed with matching tights and shoes carefully next to it. I felt that I had been hired by Eva to do this shoot rather than the other way around. She was experienced and knowledgeable as she showed me the rooms we were allowed to photograph. She placed herself carefully on the edge of a couch, stood in front of her favorite painting, and posed in her parents’ library. At the end of this photo session she was exhausted and lay down on the sofa. Finally I was able to take the only photograph that I had composed myself."
Mais aqui.
o livro de areia
obrigada ao l. pelo texto enviado, gostei da comparação, o kindle, de facto, encerra em si a ideia de livro interminável ao estilo de Borges, mas a batalha não está perdida. os livros, ao contrário dos cds, não precisam de nenhum aparelho especial para se poderem ler, a linguagem que utilizam não é software que se torna obsoleto em menos de uma década, não precisam de baterias ou upgrades. é verdade, gosto que algo tão pequeno como o kindle possa conter todos os livros que alguma vez lerei, gosto da ideia de poder levar comigo - para qualquer lugar - uma biblioteca inteira, mas mais do que tudo, gosto da imutabilidade dos livros.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Tlön, Uqbar, Orbis Tertius
Debo a la conjunción de un espejo y de una enciclopedia el descubrimiento de Uqbar. El espejo inquietaba el fondo de un corredor en una quinta de la calle Gaona, en Ramos Mejía; la enciclopedia falazmente se llama The Anglo-American Cyclopaedía (New York, 1917) y es una reimpresión literal, pero también morosa, de la Encyclopaedia Britannica de 1902. El hecho se produjo hará unos cinco años. Bioy Casares había cenado conmigo esa noche y nos demoró una vasta polémica sobre la ejecución de una novela en primera persona, cuyo narrador omitiera o desfigurara los hechos e incurriera en diversas contradicciones, que permitieran a unos pocos lectores -a muy pocos lectores- la adivinación de una realidad atroz o banal. Desde el fondo remoto del corredor, el espejo nos acechaba. Descubrimos (en la alta noche ese descubrimiento es inevitable) que los espejos tienen algo monstruoso. Entonces Bioy Casares recordó que uno de los heresiarcas de Uqbar había declarado que los espejos y la cópula son abominables, porque multiplican el número de los hombres. Le pregunté el origen de esa memorable sentencia y me contestó que The Anglo-American Cyclopaedia la registraba, en su artículo sobre Uqbar. La quinta (que habíamos alquilado amueblada) poseía un ejemplar de esa obra. En las últimas páginas del volumen XLVI dimos con un artículo sobre Upsala; en las primeras del XLVII, con uno sobre Ural-Altaic Languages, pero ni una palabra sobre Uqbar. Bioy, un poco azorado, interrogó los tomos del índice. Agotó en vano todas las lecciones imaginables: Ukbar, Ucbar, Ookbar, Oukbahr... Antes de irse, me dijo que era una región del Irak o del Asia Menor. Confieso que asentí con alguna incomodidad. Conjeturé que ese país indocumentado y ese heresiarca anónimo eran una ficción improvisada por la modestia de Bioy para justificar una frase. El examen estéril de uno de los atlas de Justus Perthes fortaleció mi duda.
ou se há autor quem me deu cabo da cabeça foi Borges.
(lembro-me como se fosse ontem, do natal de 1998. recebi as "ficções" e passei os restantes meses a tentar apanhar tudo o que pudesse de Borges. a teorema ainda não tinha lançado as obras completas, eu passava muito pouco tempo na net e isso explica, em parte, o meu ingénuo desconhecimento da fama de Borges. durante aqueles meses, encetei uma busca incessante pelas livrarias e alfarrabistas lisboetas. acabei presa às edições espanholas da livraria alcalá - se a memória não me falha, uma livraria bem ao estilo borgesiano -, nessa altura tinha dado um dedo para perceber castelhano.)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
leituras
- O que há de errado com o trabalho? - perguntou Patty, ouvindo o eco de uma pergunta semelhante que Walter lhe fizera em tempos. - É bom para a nossa auto-estima trabalhar.
- Eu posso trabalhar - disse Verónica. - Estou a a trabalhar agora. Só que preferia não o fazer. É entediante, e tratam-me como uma secretária.
- Tu és uma secretária. Provavelmente és a secretária com o QI mais alto de toda a cidade de Nova Iorque.
- É só que estou ansiosa por me despedir, apenas isso.
- Tenho a certeza de que a Joyce te pagava para voltares a estudar, e conseguires assim arranjar um emprego mais próprio do teu talento.
Verónica riu-se.
- Os meus talentos não parecem ser do género daqueles em que o mundo está interessado. Por isso é melhor que eu os exerça sozinha. Na verdade, só quero ficar sozinha, Patty. Neste momento é tudo o que peço. Que me deixem em paz.
Jonathan Franzen, Liberdade
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
work(s) in progress I
poesia lida é mais que poesia escrita. eu vejo, mas ainda não consigo fotografar. lentamente, muito lentamente, é-me descrito o que ali está. o que vejo, o que oiço, mas que ainda não consigo explicar.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
repetição
Tento encontrar na repetição a identidade do que vejo. Quantas vezes fazem uma rotina? A rotina é feita do que já não é possível contabilizar. No imensurável descubro o que sobra das imagens. Debaixo do ruído estão os lugares que me escapam.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A distância entre aquilo que representamos e o que somos na imagem fixa prende-se, essencialmente, com a vontade de ver para além de. O reflexo, continuamente ambíguo, tanto pelo movimento que é capaz de reproduzir, como pelo diálogo interior que permite manter, sempre me pareceu mais fiel do que a imagem captada. No instante cristalizado vejo-me, mas não me reconheço. A frustração de estar ali fielmente representada sem ser eu, lembra-me sempre a história que ela acabou por me contar sem saber muito bem porquê: tinha um alter-ego. Tinha outro nome, escolhia vestidos muito femininos, mudava o cabelo, fumava de forma afectada (usava boquilha?) e gastava dinheiro - ela uma rapariga de gostos simples, sem grandes manias, com um alter-ego daqueles. Dizia, com tanta franqueza que nunca cheguei a duvidar da história, que havia dias que era outra e nada fazia contra isso, assumia-o através de conjunto de rituais que nada tinham a ver com ela e passeava-se pela cidade.
O auto-retrato surge invariavelmente falhado, a sensação de estar a fotografar o meu doppelgänger entranha-se.
domingo, 7 de agosto de 2011
leituras
Mais uma coisa: ela era, como Mimi, uma teórica do amor. O que as diferenciava era que Mimi estava de facto disposta a fazer tudo sozinha caso os outros não fizessem a parte deles. Talvez Mimi nem sequer precisasse dos outros, a não ser como testemunhas ou cúmplices. Thea não chegava tão longe. Já tinha ouvido diversos homens, principalmente Einhorn, falarem do fanatismo das mulheres pelo amor, de como para elas a vida inteira girava ao redor dessa única coisa, ao passo que os homens estabeleciam ligações vitais com várias outras coisas e eram. portanto, menos propensos à monomania. Podia sempre contar-se com Einhorn para nos revelar parte da verdade.
Saul Bellow, As Aventuras de Augie March
sábado, 6 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
leituras
457. O lado técnico da fotografia ainda impressiona. A máquina utilizada, o formato do negativo, o número de megabites, a impressão gigante ou, em contraponto, minúscula.
458. Ninguém pergunta ao pintor o tamanho do pincel, ao escritor o peso do documento, ao cineastra o nome do laboratório da película.
[...]
467. A fotografia parece-me mais próxima da da escrita do que da pintura ou da escultura. Aliás, o seu nome indica, desde logo, essa relação. Embora alguma fotografia me pareça mais próxima de alguma pintura ou de alguma escultura.
[...]
471. Uma fotografia de um copo de água não é apenas uma fotografia de um copo de água, nem sequer uma representação de um copo de água. Assim como uma palavra não é apenas o seu significado imediato.
Setembro, Algumas notas de Daniel Blaufuks
leituras II
Yossarian left money in the old woman's lap - it was odd how many wrongs leaving money seemed to do right - and strode out of the apartment, cursing Catch-22 vehemently as he descended the stairs, even though he knew there was no such thing. Cath-22 did not exist, he was positive of that, but it made no difference. What did matter was that everyone thought it existed, and that was much worse, for there was no object or text to ridicule or refute, to accuse, criticize, attack, amend, hate, revile, spit at, rip to shreds, trample upon or burn up.
Joseph Heller, Catch-22
leituras
"Justice?" The colonel was astounded. "What is justice?"
"Justice, sir --"
"That's not what justice is," the colonel jeered, and began pounding the table again with his big fat hand. "That's what Karl Marx is. I'll tell you what justice is. Justice is a knee in the gut from the floor on a the chin at night sneaky with a knife brought up down on the magazine of a battleship sandbagged underhanded in the dark without a word of warning. Garroting. That's what justice is when we've got to be tough enough and rough enough to fight Billy Petrolle. From the hip. Get it?"
"Nor, sir."
"Don't sir me!"
"Yes, sir."
"And say 'sir' when you don't," order Major Metcalf.
Clevinger was guilty, of course, or he would not had been accused, and since the only way to prove it was to find him guilty, it was their patriotic duty to do so.
Joseph Heller, Catch-22
terça-feira, 19 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
irritação
f. é qualquer coisa como rapariga. é independente. moderna. só precisa de ser acompanhada até ao carro a partir das oito da noite. gosta de cinema italiano e de ler os clássicos. a vida é breve, é leve e pode passar o dia a dançar. durante a semana, às vezes, dá-lhe para a melancolia, chora muito pela situação do país ou pela nova catástrofe humanitária da temporada. é uma rapariga sensível aos problemas mundiais e aos saldos da zara. tem o m. que a ouve. lhe oferece prendas. lhe paga os jantares. lhe dá boleia. o m. é aborrecido e chato. não lhe dá espaço. mas f. não recusa os presentes. nem os jantares. nem as boleias. f. é maravilhosa, bonita e interessante e merece tudo o que m. lhe tem para dar. o verdadeiro problema é que f. precisa de um artista. alguém com a mesma sensibilidade que ela, sem ser chato. precisa de alguém interessante que a faça suspirar reverencialmente. além disso, f., apesar de saber que é maravilhosa, também tem ataques de pânico e dúvidas existenciais, porque mesmo com toda a sua independência e modernidade, não é menos que as heroínas das séries de tv, f. também precisa de muito conforto, de um ombro masculino que a ampare nos momentos de maior angústia. f. sabe que rapariga que se preze tem de ter o seu príncipe encantado.
f. causa-me vergonha alheia. desconforto. f. faz-me suspirar pelas sufragistas inglesas e outras que tais. f. dá-me vontade de apedrejar raparigas tontas em praça pública.
(devia ter nascido para ermita ou como certos contactos no facebook me põem de bom humor.)
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