quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

fora de foco






obrigo-me a desfocar. a desajustar. a nitidez não é suficiente para a história de todos os dias.

sábado, 29 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

manias


oficinas :)

manias

roupa estendida :)

as preferidas de hoje



p.s. ainda falta a coragem para bater à porta. está quase.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

conversas


a magia dos dois nomes próprios não tem par.

Listas


gosto de listas inesperadas e gostei especialmente desta: dez filmes da última década que qualquer fotógrafo deve ver, elaborada pelo fotógrafo Henry Jacobson (vista no arte photographica)

p.s. a minha seria diferente, mas incluiria, sem dúvida A Single Man.

Estou além

domingo, 23 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

no meu caminho II



O caminho que faço para casa demora-se por duas ruas ingratas. São o espelho do abandono a que um certo centro da cidade foi votado. Fazem parte daquela zona da almirante reis que já não se recomenda, que não se desce, que se evita sem pudor. Gosto delas, não por uma qualquer decadência estética, mas pela sua resistência absolutamente inesperada. Pela loja de velharias onde comprei um catálogo de pintura russa por três euros. Pelo alfarrabista com promoções de clássicos. Pela loja de ferragens com vassouras penduradas no tecto. Pela padaria onde me ofereceram torta de laranja e onde compro o pão. Pela loja de roupa interior que adorava fotografar de uma ponta à outra.
Mas também pela resistência de determinadas pessoas, que se recusam a ser expulsas de uma zona como esta - ingrata e mal-amada.

no meu caminho

sábado, 8 de janeiro de 2011

leituras

Gauna assistia ao ensaio com os olhos fixos, boca entreaberta e sentimentos contraditórios. A desilusão do primeiro momento ainda ressoava nele, como um eco fraco e prolongado. Fora como uma humilhação perante si mesmo. «Como é que eu não desconfiei», pensou, «quando me disseram que o teatro ficava na Rua Freye?» Mas agora perplexo e orgulhoso, via a conhecida Clara transfigurar-se na desconhecida Élida. O seu abandono ao prazer - a uma espécie de prazer vaidoso e marital - teria sido completo se as caras masculinas, inexpressivas e atentas que assistiam ao espectáculo, não lhe tivessem sugerido a possibilidade de uma inevitável trama de circunstâncias que podiam roubar-lhe Clara ou deixar-lha aparentemente intacta, mas carregada de mentiras e traições.

[...]

- Nunca ninguém me falou assim - declarou a rapariga.
Diante dos seus olhos radiantes, pardos e puros, envergonhou-se, viu-se a descoberto; quis reconhecer que toda aquela teoria da liberdade e da franqueza era uma improvisação, uma apressada memória de conversas com Larsen e que agora a expunha para esconder as suas descobertas, a sua necessidade de saber o que ela tinha feito na noite em que não quis acompanhá-la, para disfarçar um pouco o inesperado e urgente sentimento que o dominava: os ciúmes. Começava a balbuciar, mas a rapariga exclamou:
- És maravilhoso.
Julgou que troçava dele. Quando olhou para ela, percebeu que falava seriamente, quase com fervor. Sentiu-se ainda mais envergonhado. Pensou que nem sequer estava certo de acreditar no que lhe tinha dito, nem de aspirar a entender-se perfeitamente com ela, nem de gostar assim tanto dela.


Adolfo Bioy Casares, O sonho dos heróis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

a explorar



A dica, dada pelo pai, sublinhava em particular o trabalho desenvolvido por Sam Taylor Wood, sendo esta foto uma das minhas preferidas:




Quanto a mim, o portfolio do fotógrafo Alexander Gronsky encheu-me as medidas:

a notícia do dia



(espero que alguém se lembre de fazer algo deste género.)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

vícios

sãos coisas lixadas, caprichosas... levei tempo a revelar estes últimos rolos, demasiado. decidi andar para a frente, perceber se vale a pena. no fundo: quero ver algo que não mudaria. espero que gostem.

alentejo x-pro





finalmente os quatro olhos





duas de uma vez

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

último

encontrado por acaso, descreve perfeitamente os meus desvarios cibernéticos dos últimos dias

Browse the images, when you see something that you like, click on it, to see more like it.
It's actually that simple. Enjoy the inspiration!


p.s. sim, isolada do mundo e com demasiado tempo nas mãos.

mais inspiração

p.s. a tentar furiosamente não ligar aos anúncios inacreditáveis do crédito ao consumo - antónio vai finalmente para as caraíbas com a mulher e os três filhos??!; , à pérola do comentador televisivo de fim-de-semana quando questionado sobre a possibilidade de fenómenos de instabilidade social no próximo ano - o povo português é sereno e inteligente.
a tentar furiosamente olhar para o lado positivo disto tudo, mas está difícil.

inspiração do mali


Malick Sedebé


Seidou Keita


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

leituras

Ela sabia que eu não iria comer sentada à mesa e depois levar-me-ia o jantar à cozinha, mas pensei que não queria que Charles se lembrasse disso e dar-lhe assim outro motivo de que falar. Sorri e saí para o vestíbulo, com a voz ainda a falar atrás de mim. Há muito que não se ouviam tantas palavras na nossa casa, e ia demorar algum tempo a limpá-las todas.

Shirley Jackson, Sempre vivemos no castelo

domingo, 12 de dezembro de 2010

work in progress II


work in progress


tentações II

para a próxima ida ao Porto.

tentações

Passei pelo menos duas vezes em cada banca, peguei nos livros, folheei-os, vi alguns que ainda estão na lista dos impossíveis, suspirei, memorizei novas tentações e saí com dois - portugueses.


Tomás Maia, Assombra - Ensaio sobre a Origem da Imagem


Daniel Blaufuks, O Arquivo

sábado, 11 de dezembro de 2010

leituras

Foi nessa altura que desisti da intenção de procurar uma explicação a todo o custo. Com o devido respeito, nem sempre se pode contar com o bom senso. Às vezes é mais aconselhável e proveitoso aceitar coisas estranhas. Podemos até preservar a cabeça nos ombros, que não é coisa pouca. E eu não só sobrevivi às escadas escuras como também em breve ganhei paz de espírito. Assim que deixei de me sobrecarregar com a curiosidade desnecessária, comecei a dormir melhor, o meu apetite voltou, já não estava constantemente desanimado, apático e anémico. É um verdadeiro milagre como uma decisão simples pode, num abrir e fechar olhos, fazer renascer uma pessoa.

Zoran Zivkovic, A Biblioteca (A Biblioteca Particular)

(É um livro minúsculo, cheio - mais do que de livros - de espaços fantásticos onde os guardar: as bibliotecas imaginárias. Mesmo assim, foi aqui que me prendeu, numa passagem sobre a possibilidade de o número de degraus ser diferente a subir e a descer - pareceu-me perfeita.)