sábado, 29 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

manias


oficinas :)

manias

roupa estendida :)

as preferidas de hoje



p.s. ainda falta a coragem para bater à porta. está quase.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

conversas


a magia dos dois nomes próprios não tem par.

Listas


gosto de listas inesperadas e gostei especialmente desta: dez filmes da última década que qualquer fotógrafo deve ver, elaborada pelo fotógrafo Henry Jacobson (vista no arte photographica)

p.s. a minha seria diferente, mas incluiria, sem dúvida A Single Man.

Estou além

domingo, 23 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

no meu caminho II



O caminho que faço para casa demora-se por duas ruas ingratas. São o espelho do abandono a que um certo centro da cidade foi votado. Fazem parte daquela zona da almirante reis que já não se recomenda, que não se desce, que se evita sem pudor. Gosto delas, não por uma qualquer decadência estética, mas pela sua resistência absolutamente inesperada. Pela loja de velharias onde comprei um catálogo de pintura russa por três euros. Pelo alfarrabista com promoções de clássicos. Pela loja de ferragens com vassouras penduradas no tecto. Pela padaria onde me ofereceram torta de laranja e onde compro o pão. Pela loja de roupa interior que adorava fotografar de uma ponta à outra.
Mas também pela resistência de determinadas pessoas, que se recusam a ser expulsas de uma zona como esta - ingrata e mal-amada.

no meu caminho

sábado, 8 de janeiro de 2011

leituras

Gauna assistia ao ensaio com os olhos fixos, boca entreaberta e sentimentos contraditórios. A desilusão do primeiro momento ainda ressoava nele, como um eco fraco e prolongado. Fora como uma humilhação perante si mesmo. «Como é que eu não desconfiei», pensou, «quando me disseram que o teatro ficava na Rua Freye?» Mas agora perplexo e orgulhoso, via a conhecida Clara transfigurar-se na desconhecida Élida. O seu abandono ao prazer - a uma espécie de prazer vaidoso e marital - teria sido completo se as caras masculinas, inexpressivas e atentas que assistiam ao espectáculo, não lhe tivessem sugerido a possibilidade de uma inevitável trama de circunstâncias que podiam roubar-lhe Clara ou deixar-lha aparentemente intacta, mas carregada de mentiras e traições.

[...]

- Nunca ninguém me falou assim - declarou a rapariga.
Diante dos seus olhos radiantes, pardos e puros, envergonhou-se, viu-se a descoberto; quis reconhecer que toda aquela teoria da liberdade e da franqueza era uma improvisação, uma apressada memória de conversas com Larsen e que agora a expunha para esconder as suas descobertas, a sua necessidade de saber o que ela tinha feito na noite em que não quis acompanhá-la, para disfarçar um pouco o inesperado e urgente sentimento que o dominava: os ciúmes. Começava a balbuciar, mas a rapariga exclamou:
- És maravilhoso.
Julgou que troçava dele. Quando olhou para ela, percebeu que falava seriamente, quase com fervor. Sentiu-se ainda mais envergonhado. Pensou que nem sequer estava certo de acreditar no que lhe tinha dito, nem de aspirar a entender-se perfeitamente com ela, nem de gostar assim tanto dela.


Adolfo Bioy Casares, O sonho dos heróis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

a explorar



A dica, dada pelo pai, sublinhava em particular o trabalho desenvolvido por Sam Taylor Wood, sendo esta foto uma das minhas preferidas:




Quanto a mim, o portfolio do fotógrafo Alexander Gronsky encheu-me as medidas:

a notícia do dia



(espero que alguém se lembre de fazer algo deste género.)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

vícios

sãos coisas lixadas, caprichosas... levei tempo a revelar estes últimos rolos, demasiado. decidi andar para a frente, perceber se vale a pena. no fundo: quero ver algo que não mudaria. espero que gostem.

alentejo x-pro





finalmente os quatro olhos





duas de uma vez

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

último

encontrado por acaso, descreve perfeitamente os meus desvarios cibernéticos dos últimos dias

Browse the images, when you see something that you like, click on it, to see more like it.
It's actually that simple. Enjoy the inspiration!


p.s. sim, isolada do mundo e com demasiado tempo nas mãos.

mais inspiração

p.s. a tentar furiosamente não ligar aos anúncios inacreditáveis do crédito ao consumo - antónio vai finalmente para as caraíbas com a mulher e os três filhos??!; , à pérola do comentador televisivo de fim-de-semana quando questionado sobre a possibilidade de fenómenos de instabilidade social no próximo ano - o povo português é sereno e inteligente.
a tentar furiosamente olhar para o lado positivo disto tudo, mas está difícil.

inspiração do mali


Malick Sedebé


Seidou Keita


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

leituras

Ela sabia que eu não iria comer sentada à mesa e depois levar-me-ia o jantar à cozinha, mas pensei que não queria que Charles se lembrasse disso e dar-lhe assim outro motivo de que falar. Sorri e saí para o vestíbulo, com a voz ainda a falar atrás de mim. Há muito que não se ouviam tantas palavras na nossa casa, e ia demorar algum tempo a limpá-las todas.

Shirley Jackson, Sempre vivemos no castelo

domingo, 12 de dezembro de 2010

work in progress II


work in progress


tentações II

para a próxima ida ao Porto.

tentações

Passei pelo menos duas vezes em cada banca, peguei nos livros, folheei-os, vi alguns que ainda estão na lista dos impossíveis, suspirei, memorizei novas tentações e saí com dois - portugueses.


Tomás Maia, Assombra - Ensaio sobre a Origem da Imagem


Daniel Blaufuks, O Arquivo

sábado, 11 de dezembro de 2010

leituras

Foi nessa altura que desisti da intenção de procurar uma explicação a todo o custo. Com o devido respeito, nem sempre se pode contar com o bom senso. Às vezes é mais aconselhável e proveitoso aceitar coisas estranhas. Podemos até preservar a cabeça nos ombros, que não é coisa pouca. E eu não só sobrevivi às escadas escuras como também em breve ganhei paz de espírito. Assim que deixei de me sobrecarregar com a curiosidade desnecessária, comecei a dormir melhor, o meu apetite voltou, já não estava constantemente desanimado, apático e anémico. É um verdadeiro milagre como uma decisão simples pode, num abrir e fechar olhos, fazer renascer uma pessoa.

Zoran Zivkovic, A Biblioteca (A Biblioteca Particular)

(É um livro minúsculo, cheio - mais do que de livros - de espaços fantásticos onde os guardar: as bibliotecas imaginárias. Mesmo assim, foi aqui que me prendeu, numa passagem sobre a possibilidade de o número de degraus ser diferente a subir e a descer - pareceu-me perfeita.)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

jun igarashi architects: house of trough

há fotografias que me dão vontade de viver em certas casas.

domingo, 28 de novembro de 2010

austeridade


(obrigada pela dica pai)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

fotogenia

Nicole Kidman, Charleston, East Sussex, England, 1997


(Presence and Charisma)

[...]
What I'm talking about is not always immediately visible to the naked eye. You sometimes become aware of it during the shoot when you look at a Polaroid or at the screen of a monitor. And it's not just that the camera loves these people's faces. There are quirky things about them that are also beautiful to photograph. The way Nicole Kidman looks from behind when she walks away, for instance. The way she stands. Not many people are good at standing.
Glamour is part of the quality I mean, but it manifest itself in situations that aren´t particularly glamorous. In 1997, when Nicole Kidman was in England, making the Kubrick film Eyes Wide Shut, I brought her to Charleston, the former home of Vanessa Bell and Duncan Grant, in Sussex. Kubruck had asked her to stay out of the sun for a year or something before they started filming, and her skin has very white. Almost translucent. She sat on the edge of a bed wearing nothing but a black turtle neck sweater, looking directly at the camera. Everything that you would think makes her a movie star was stripped away, and she still held the picture.

Annie Leibovitz, At Work

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

gainsbourg & birkin


tenho inveja das pernas longas e da fotogenia do par, tenho inveja de quem os captou tão bem.

ready-made home art

chuva, falta de pregos (para as coisas sérias) e um conjunto de postais ... as paredes estão um bocadinho menos brancas. (work in progress)

sábado, 13 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lewis Hine

"There were two things I wanted to do. I wanted to show the things that had to be corrected. I wanted to show the things that had to be appreciated.
In these terms, Lewis Wickers Hine numbers among the leading figures of socially oriented documentary photography.

To attempt to conclude that Hine was not interested in technical photographic questions would be false, however. What fascinated him was photography as a contemporary visual means of communication what he ignored was the concept of the 'fine art print' as defended by the photographic community oriented on Stieglitz and his circle. And precisely here may lie the explanation for the low estimation that he received up to the present time. For example, Edward Steichen, chief curator for photography at the Museum of Modern Art in New York, showed no interest in 1947 in Hine's estate after his death in 1940. And even the evaluation of Susan Sontag, who held Walker Evans to be the most important photographic artist to have concerned himself with America, reveals something of the skepticism that art criticism has shown toward Hine's oeuvre primarily directed to social criticism. And yet Hine was in fact interested in formal and aesthetic questions and had, moreover, developed a visual vocabulary that could hold its own at the height of art-photography debates, being wholly based on the qualities intrinsic to the medium. In particular his early workers' portraits, according to Miles Orvell "endow their commonplace subjects with a dignity not in terms of an art-historical tradition, but in terms of a new vocabulary of representation that erased the existing ethnographic and documentary traditions of portraiture and established a new procedure for representing working-class character." But there were very few who recognized this truth during Hine's lifetime, not even a Roy Striker, who roundly rejected Hine's application for work with the FST project. Thus Lewis Hine died in 1940, impoverished and forgotten. He who had devoted himself lifelong to the social welfare of others had finally become a welfare case himself. "

Hans-Michael Koetzle, Photo Icons - the story behind the pictures (Taschen)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Robert Frank: provas de contacto


"Guggenheim 340/Americans 18 and 19 - New Orleans, 11/1/1955" Frank shot this roll of film in New Orleans in November, 1955. It contains two images, numbered 13 and 16 in the row outlined in red, that made Frank's final cut for The Americans. Photo number 16, "Trolley--New Orleans," became famous as The Americans' cover image. (retirado daqui)

ando em treinos. a perceber como se chega àquela que deve ser impressa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

leituras

A carta, já o disse, era impossível de ler, embora estivesse escrita em espanhol, ou pelo menos foi essa a conclusão a que chegámos Daniel e eu. Mas também poderia estar escrita em aramaico. Sobre isto, sobre o aramaico, lembro-me de uma coisa curiosa. Cláudia, que depois de olhar para a carta não mostrou a mínima curiosidade por saber o que dizia, nessa noite, enquanto Daniel e eu tentávamos decifrá-la, contou-nos um história que Ulisses lhe tinha contado havia muito tempo, quando ambos estavam na Cidade do México. Segundo Ulisses, dizia Cláudia, aquela parábola de Jesus Cristo tão famosa, a dos ricos, o camelo e o buraco da agulha, podia ser fruto de uma gralha. Em grego, disse Cláudia que Ulisses tinha dito (mas desde quando é que Ulisses sabia grego?) existia a palavra káundos, camelo, mas o n (eta) lia-se quase como i, e a palavra káuidos, cabo, maroma, corda grossa, onda a letra i (iota) se lê i. O que o levava a perguntar-se se, como Mateus e Lucas se basearam no texto de Marcos, a origem do possível erro ou gralha estaria nele ou num copista imediatamente posterior a ele. A única coisa que se podia objectar, repetia Cláudia que Ulisses tinha dito, era que Lucas, bom conhecedor do grego, teria corrigido o erro. Ora bem, Lucas sabia grego, mas não conhecia o mundo judeu, e ele pode ter suposto que o «camelo» que entra ou não entra no buraco da agulha era um provérbio de origem hebraica ou aramaica. O curioso, segundo Ulisses, é que havia outra origem possível do erro: segundo o Herr Pinchas Lapide (mas que nomezinho, disse Cláudia), da Universidade de Frankfurt, especialista em hebreu e aramaico, no aramaico da Galileia havia provérbios que usavam o substantivo gamta, maroma de barco, mas, se uma das suas letras consoantes se escreve defeituosamente, como acontece amiúde em manuscritos hebreus e aramaicos, é muito fácil ler gamal, camelo, sobretudo tendo em conta que na escrita do aramaico e do hebreu antigos não se usam vogais e elas têm de ser «intuídas». O que nos levava, dizia Cláudia que tinha dito Ulisses, a uma parábola menos poética e mais realista. É mais fácil que uma maroma de barco, ou que uma corda grossa, entre pelo buraco de uma agulha do que um rico entre no reino dos céus. E qual era a parábola que ele preferia?, perguntou Daniel. Ambos sabíamos a resposta, mas esperámos que Cláudia a dissesse. A do erro, evidentemente.

Roberto Bolaño, Os Detectives Selvagens

p.s. mistérios sem resolução foram escritos para serem lidos avidamente.

Concurso L. Fritz Gruber

"...die Photographie dient als ein visuelles Verständigungsmittel immerhin allen Kulturvölkern, und sie ist über akustische Idiome hinaus zur Sprache der Kulturvölker geworden." - L. Fritz Gruber

"Fruchtbare Augenblicke/ Furchtbare Augenblicke"