domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
leituras
- Tinha acontecido o que tinha de acontecer - diz Santiago. - Eu julgava que já tinha acontecido e só acontecera essa manhã.
Tinham estado juntos toda a manhã, um bichinho como uma cobra, não tinham ido às aulas porque Jacobo lhe tinha dito quero falar contigo a sós, uma cobra afiada como uma faca, tinham caminhado pelo Paseo de La República, uma faca como dez facas, tinham-se sentado num banco da fonte do Parque de la Exposición. Pelas faixas paralelas da Avenida Arequipa passavam automóveis e uma faca entrava muito levemente e outra saía e voltava a entrar devagarinho, e eles avançavam pela alameda que estava escura e vazia, e outro como num pão de côdea finita e muito miolo no seu coração, e de súbito a vozinha calou-se.
[...]
Era outro que falava, pensa, não eras tu. A voz um pouco mais firme agora, mais natural, Zavalita: não era ele, não podia ser ele. Compreendia, explicava, aconselhava duma altura neutral e pensava não sou. Ele era uma coisa pequenina e maltratada, uma coisa que se encolhia debaixo dessa voz, uma coisa que se escapulia e corria e fugia. Não era orgulho, nem despeito, nem humilhação, pensa, nem sequer ciúmes. Pensa: era timidez. Ela escutava-o imóvel, observava-o com uma expressão que ele não sabia nem queria decifrar, e de repente tinha-se levantado e tinham percorrido calados meio quarteirão, enquanto, tenazes, silenciosas, as facas continuavam a carnificina.
Mario Vargas Llosa, Conversa n'A Catedral
sábado, 7 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
inspiração
o final da tarde foi dedicado aos projectos impossíveis, regados com o melhor chá fresco de lisboa. esta era a inspiração de que te falava: Aires Mateus, casa em lisboa, 2009, e Alberto Caetano, apartamento em lisboa, 2009, as fotografias perfeitas aqui (reportagens 325 e 321).
a cor de uma noite de verão
a data aproxima-se inexorável. a m. pede-me que não me junte ao clube dos 27. disso não há perigo. na música não dou uma para a caixa. de resto mantém-se o bicho. melancólico, sussurra: ainda não é isto.
sábado, 24 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
leituras
The aim of this book is not to create a checklist of all of the photographers who merit a mention in a discussion on contemporary art, but to give a sense of the spectrum of motivations and expressions that currently exist in the field.
Charlote Cotton, the photography as contemporary art
terça-feira, 6 de julho de 2010
leituras
All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person's (or thing's) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time's rentless melt.
Though an event has come to mean, precisely, something worth photographing, it is still ideology (in the broadest sense) that determines what constitutes an event. There can be no evidence, photographic ore otherwise, of an event until the event itself has been named and characterized. And it is never photographic evidence which can construct - more properly, identify - events; the contribution of photography always follows the naming of the event. What determines the possibility of being affected morally by photographs is the existence of a relevant political consciousness. Without a politics, photographs of the slaughter-bench of history will most likely be experienced as, simply, unreal or as a demoralizing emotional blow.
Quotations
Your photography is a record of your living for anyone who really sees. You may see and bee affected by other people's ways, you may even use them to find your own, but you will have eventually to free yourself from them. That is what Nietzsche meant when he said, "I have just read Shopenhauer, now I have to get rid of him." He knew how insidious other people's ways could be, particularly those wich have the forcefulness of profound experience, if you let them get between you and your own vision. - Paul Strand
If I could tell the story in words, I wouldn't need to lug a camera. - Lewis Hine
Susan Sontag, On Photography
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Amalfitano
"Depois entrou na casita como se lhe faltasse o oxigénio e tirou de um saco de plástico, com o logótipo do supermercado onde ia fazer as compras semanais, três molas de roupa, que ele se obstinava em chamar «cãezinhos», e com elas pendurou o livro num dos cordéis e voltou a entrar em casa sentindo-se muito mais aliviado.
A ideia, claro está, era de Duchamp."
Roberto Bolaño, 2666
terça-feira, 29 de junho de 2010
lucidez
Everywhere I go, I'm asked if I think the universities stifle writers. My opinion is that they don't stifle enough of them. There's many a best seller that could have been prevented by a good teacher.
Flannery O'Connor
(é daquelas frases que levo sempre comigo, mesmo quando não me lembro das palavras exactas. fica aqui o registo, para não me voltar a esquecer)
quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
a primeira
Já está montada... já podes vir visitar...
vai a www.atleticocp.pt (contactos, tens lá o mapa)
A minha explicação:
- A5 Cascais
- Saída Monsanto
- Rotunda à esquerda (passa por cima da A5)
- Rotunda à esquerda, direcção Alvito
- Sempre em frente até passar o Alvito (descida com vista para o Tejo)
- Na descida à um corte à direita para a Piscina
- estou lá a partir das 17h30
vai a www.atleticocp.pt (contactos, tens lá o mapa)
A minha explicação:
- A5 Cascais
- Saída Monsanto
- Rotunda à esquerda (passa por cima da A5)
- Rotunda à esquerda, direcção Alvito
- Sempre em frente até passar o Alvito (descida com vista para o Tejo)
- Na descida à um corte à direita para a Piscina
- estou lá a partir das 17h30
As piscinas do atlético clube de portugal celebram a semana da saúde com um conjunto de actividades, entre elas uma exposição de fotografias minhas :) Estão mesmo na entrada, bem acompanhadas por poemas do Fernando Pessoa (escolhidos por quem se lembrou disto tudo, o Pedro Vidal) se puderem, passem por lá.
terça-feira, 8 de junho de 2010
insónias curam-se com doses de inspiração
à procura da inspiração para as paredes ainda vazias, sei que gostava de ter pelo menos uma foto da m. e outra da paperdoll, para além do que não me canso de ver todos os dias, vou descobrindo coisas novas. inspiração no mais ou menos desconhecido.
ando vidrada na última ilustração - a mais barata e a mais vazia - do vasco mourão (sempre gostei de zeppelins) e descobri recentemente as fotos da sandra juto - de uma berlim que me faz lembrar o meu irmão.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
das pausas
põe-se a leitura em dia e não se larga a janela... mesmo sem vista, com o céu azul a entrar por uma fresta, ouve-se a conversa das vizinhas e o fado improvisado. ando com vontade de comprar um manjerico e fotografar o santo antónio onde as sardinhas são de graça e o bailarico é piroso como tem de ser.
work in progress
as caixas, os sacos, as prateleiras por montar, os cabos espalhados, os tachos, as panelas, os lençóis, as toalhas e os livros e os livros por ordem alfabética (não há cá misturas).
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
parênteses
| 1. | GRAMÁTICA palavra, expressão ou frase que se intercala num texto para dar informação adicional, mas não essencial para a compreensão do sentido desse texto |
| 2. | sinal gráfico ( ) que identifica e delimita essa frase |
| 3. | MATEMÁTICA sinal usado para significar que as operações indicadas dentro dele se devem considerar efectuadas |
| 4. | figurado desvio momentâneo do tema de conversa ou do assunto em discussão; digressão; parênteses rectos sinais constituídos por traços verticais com pequenos traços horizontais [ ]; FILOSOFIA pôr entre parênteses na filosofia fenomenológica, acção pela qual o espírito, sem rejeitar a crença espontânea no mundo das existências e dos valores, se abstém de toda a afirmação a seu respeito |
(Do gr. parénthesis, «interposição», pelo lat. parenthèse-, «id.»)
(retirado do dicionário on-line da porto editora)
apontamento
a exposição

URRA de Pedro Letria
6 de Maio a 26 de Junho de 2010
As fotografias aqui expostas são a única prova que Pedro Letria recebeu em 2001 uma encomenda para fotografar o concelho de Grândola. Percorreu todo o seu território, fotografou-o, imprimiu a sua escolha em papel Ilfochrome e entregou estas ampliações de 13 por 18 centímetros ao comissário do projecto. No entanto, uma vez consumada a posse do novo elenco autárquico, no final do mesmo ano, toda a urgência verificada até então na entrega das fotografias desaparecera e só perante a insistência do fotógrafo é que o comissário o informou que o projecto tinha morrido.
De facto, verifica-se que este projecto não existe nos registos da Câmara e não foi encontrado qualquer auto ou contrato que refira a iniciativa. O registo das despesas de alojamento em Tróia, as deslocações em carro da edilidade, inicialmente acompanhado por uma funcionária, e o pagamento das provas fotográficas ao laboratório estão omissos em qualquer documento camarário. Não foi paga qualquer remuneração ao fotógrafo pelo trabalho prestado. Estas ampliações foram resgatadas por Pedro Letria ao comissário e guardadas, até hoje, numa caixa vermelha de papel fotográfico - de uma marca alemã entretanto falida -, onde consta a inscrição A Identidade Dalagron, escrita a tinta indelével, de cor azul marinho.
Em 2002, de passagem pela península de Tróia, Pedro Letria entrou na torre Magnólia, onde ficara alojado. Procurava o exemplar de Florida, de Walker Evans, que deixara esquecido no quarto que ocupara, no quinto andar, com uma vista soberba para o estuário do Sado e para o Oceano Atlântico. A funcionária da recepção, depois de o procurar, regressou e entregou-lhe um envelope castanho, para uso interno, com o seu livro. Por fora, escrito à mão, lia-se: Pedro Letria, Câmara de Grândola.
[Kgaleria], Rua da Vinha 43A – Bairro Alto, Lisboa
2ª a 6 das 10h às 18h e Sáb das 14h às 19h (excepto feriados)
(retirado do site do colectivo Kameraphoto)
Tel: +351 21 343 16 76
Tel: +351 21 343 16 76
quarta-feira, 5 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
leituras
"The dumpkeeper had spawned nine daughters and named them out of an old medical dictionary gleaned from the rubbish he picked. These gangling progeny with black hair hanging from their armpits now sat idle and wide-eyed day after day in chairs and crates about the little yard cleared out of the tips while their harried dam called them one by one to help with chores and one by one they shrugged or blinked their sluggard lids. Urethra, Cerebella, Hernia Sue. They moved like cats and like cats in heat attracted surrounding swains to their midden until the old man used to go out at night and fire a shotgun at random just to clear the air."
Cormac McCarthy, Child of God
sábado, 17 de abril de 2010
para contrariar
quarta-feira, 14 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
leituras
"E um dia acabará por existir um aparelho mais completo. O pensado e o sentido durante a vida - ou nos tempos de exposição - será como um alfabeto, com o qual a imagem continuará a aperceber-se de tudo (como nós, com as letras de um alfabeto, podemos entender e compor todas as palavras). A vida será, pois, um depósito da morte. Mas mesmo então a imagem não terá vida; objectos essencialmente novos não poderão existir para ela. Conhecerá tudo o que sentiu ou pensou, ou as combinações superiores do que sentiu ou pensou."
Adolfo Bioy Casares, A invenção de Morel
p.s. de todas as passagens possíveis, não é difícil perceber porque escolhi esta.
domingo, 11 de abril de 2010
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