terça-feira, 8 de junho de 2010

procura-se inspiração (ainda)




insónias curam-se com doses de inspiração

à procura da inspiração para as paredes ainda vazias, sei que gostava de ter pelo menos uma foto da m. e outra da paperdoll, para além do que não me canso de ver todos os dias, vou descobrindo coisas novas. inspiração no mais ou menos desconhecido.
ando vidrada na última ilustração - a mais barata e a mais vazia - do vasco mourão (sempre gostei de zeppelins) e descobri recentemente as fotos da sandra juto - de uma berlim que me faz lembrar o meu irmão.
depois também há isto e isto e isto também...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

das pausas



põe-se a leitura em dia e não se larga a janela... mesmo sem vista, com o céu azul a entrar por uma fresta, ouve-se a conversa das vizinhas e o fado improvisado. ando com vontade de comprar um manjerico e fotografar o santo antónio onde as sardinhas são de graça e o bailarico é piroso como tem de ser.

work in progress


as caixas, os sacos, as prateleiras por montar, os cabos espalhados, os tachos, as panelas, os lençóis, as toalhas e os livros e os livros por ordem alfabética (não há cá misturas).

quarta-feira, 19 de maio de 2010


com vontade de meter mãos à obra

terça-feira, 11 de maio de 2010

parênteses

1.GRAMÁTICA palavra, expressão ou frase que se intercala num texto para dar informação adicional, mas não essencial para a compreensão do sentido desse texto
2.sinal gráfico ( ) que identifica e delimita essa frase
3.MATEMÁTICA sinal usado para significar que as operações indicadas dentro dele se devem considerar efectuadas
4.figurado desvio momentâneo do tema de conversa ou do assunto em discussão; digressão;
parênteses rectos sinais constituídos por traços verticais com pequenos traços horizontais [ ];
FILOSOFIA pôr entre parênteses na filosofia fenomenológica, acção pela qual o espírito, sem rejeitar a crença espontânea no mundo das existências e dos valores, se abstém de toda a afirmação a seu respeito
(Do gr. parénthesis, «interposição», pelo lat. parenthèse-, «id.»)

(retirado do dicionário on-line da porto editora)

apontamento


continuo a apanhar o metro todas as manhãs, a cumprir o contrato, a fazer o caminho de regresso a casa. tudo o resto são devaneios. como alguém disse: luxos destes tempos.

a exposição


URRA de Pedro Letria

6 de Maio a 26 de Junho de 2010

As fotografias aqui expostas são a única prova que Pedro Letria recebeu em 2001 uma encomenda para fotografar o concelho de Grândola. Percorreu todo o seu território, fotografou-o, imprimiu a sua escolha em papel Ilfochrome e entregou estas ampliações de 13 por 18 centímetros ao comissário do projecto. No entanto, uma vez consumada a posse do novo elenco autárquico, no final do mesmo ano, toda a urgência verificada até então na entrega das fotografias desaparecera e só perante a insistência do fotógrafo é que o comissário o informou que o projecto tinha morrido.
De facto, verifica-se que este projecto não existe nos registos da Câmara e não foi encontrado qualquer auto ou contrato que refira a iniciativa. O registo das despesas de alojamento em Tróia, as deslocações em carro da edilidade, inicialmente acompanhado por uma funcionária, e o pagamento das provas fotográficas ao laboratório estão omissos em qualquer documento camarário. Não foi paga qualquer remuneração ao fotógrafo pelo trabalho prestado. Estas ampliações foram resgatadas por Pedro Letria ao comissário e guardadas, até hoje, numa caixa vermelha de papel fotográfico - de uma marca alemã entretanto falida -, onde consta a inscrição A Identidade Dalagron, escrita a tinta indelével, de cor azul marinho.
Em 2002, de passagem pela península de Tróia, Pedro Letria entrou na torre Magnólia, onde ficara alojado. Procurava o exemplar de Florida, de Walker Evans, que deixara esquecido no quarto que ocupara, no quinto andar, com uma vista soberba para o estuário do Sado e para o Oceano Atlântico. A funcionária da recepção, depois de o procurar, regressou e entregou-lhe um envelope castanho, para uso interno, com o seu livro. Por fora, escrito à mão, lia-se: Pedro Letria, Câmara de Grândola.


[Kgaleria], Rua da Vinha 43A – Bairro Alto, Lisboa
2ª a 6 das 10h às 18h e Sáb das 14h às 19h (excepto feriados)

(retirado do site do colectivo Kameraphoto)
Tel: +351 21 343 16 76

vil

quarta-feira, 5 de maio de 2010

escola

Sonho em voltar à escola para estudar algo que não tenha futuro absolutamente nenhum.
[Quando era miúda e verdadeiramente ingénua ninguém me explicou que são as escolhas sensatas que nos lixam]

o tempo que resta

domingo, 18 de abril de 2010

leituras

"The dumpkeeper had spawned nine daughters and named them out of an old medical dictionary gleaned from the rubbish he picked. These gangling progeny with black hair hanging from their armpits now sat idle and wide-eyed day after day in chairs and crates about the little yard cleared out of the tips while their harried dam called them one by one to help with chores and one by one they shrugged or blinked their sluggard lids. Urethra, Cerebella, Hernia Sue. They moved like cats and like cats in heat attracted surrounding swains to their midden until the old man used to go out at night and fire a shotgun at random just to clear the air."

Cormac McCarthy, Child of God

sábado, 17 de abril de 2010

para contrariar

antecipava um fim-de-semana chuvoso, fechada em casa, em leituras. de mal com o mundo. mas esta maravilha acordou-me pela manhã.vinda de um país que já não existe, é perfeita. também não sou de lado nenhum.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

preto e branco

novo álbum nos sítios do costume.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

leituras

"E um dia acabará por existir um aparelho mais completo. O pensado e o sentido durante a vida - ou nos tempos de exposição - será como um alfabeto, com o qual a imagem continuará a aperceber-se de tudo (como nós, com as letras de um alfabeto, podemos entender e compor todas as palavras). A vida será, pois, um depósito da morte. Mas mesmo então a imagem não terá vida; objectos essencialmente novos não poderão existir para ela. Conhecerá tudo o que sentiu ou pensou, ou as combinações superiores do que sentiu ou pensou."

Adolfo Bioy Casares, A invenção de Morel

p.s. de todas as passagens possíveis, não é difícil perceber porque escolhi esta.

domingo, 11 de abril de 2010

vício

Chair Car
1960
Edward Hopper

Visto no silêncio dos livros, viciante.

porto de lisboa






respirar




entre vila nova de cerveira e caminha.

terça-feira, 30 de março de 2010

acaso

Dry Ranch, Australia

Photograph by Amy Toensing

for National Geographic

o outro lado do espelho está na moda


p.s. mas ainda não bateram o original.

quarta-feira, 24 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

resistentes



ando chata, intragável mesmo. no meio da desgraça, há uns quantos resistentes que me tentam animar os dias. o r. adoptou a técnica um cartoon destes por dia nem sabes o bem que te fazia.
a todos os resistentes uma nota: conto estar no meu humor normal - que isto não há milagres - no final deste mês, tenham paciência, já faltou mais.

quinta-feira, 18 de março de 2010

mal

Mais uma razão para estar atento ao Mal

Uma mão de cada lado do gerador, lençol às costas e outros dois levam a munição sonora.

O MAL aproveita a primeira aberta e faz-se à estrada! Que saudade de sentir a rua. A Rua é nossa! Renasce a tradição de aldeia do cinema piolho, das travessuras e das vontades. Vamos explorar a cidade bem no meio, onde moram os cinemas silenciados pelo tempo. Exibimos as películas de novos talentos do panorama enriquecido do cinema português e revivemos a cidade lá onde os nossos pais, nossos avós e bisavós sacudiam a ansiedade de ver cinema.


O MAL vai à rua, na busca dessas fachadas, e convida os mais audazes a percorrer numa noite estes locais entaipados da cidade, lá bem no centro, marcamos encontro para dia 27 de Março. Das 21horas às 01 horas visitaremos quatro cinemas abandonados ou transformados para exibir nas suas fachadas conteúdos originais de novos talentos do cinema de Lisboa.

(visto na última newsletter do Mal)

quarta-feira, 17 de março de 2010

até chegar aos anjos é céline - a morte, pela manhã, tem sabor a noite mal dormida. depois são as palavras, não estas. as outras a que devo dar significado. e do dia resta pouco. até chegar novamente ao metro. a horas mortas e parcamente acompanhada sou apanhada por uma voz forte de mulher a cantar salmos por si inventados. olho para o chão, evito ser interpelada. as senhoras da limpeza, sempre em grupo - coisa curiosa que um dia hei-de tentar explicar - são mais benevolentes do que eu e o monólogo sobre improváveis significados e inexoráveis castigos eternos surge para todos e não apenas para as benevolentes. fomos avisados. a personagem profética, com ar de ter saído de um qualquer canto do livro que arrasto comigo, acompanha-nos no metro. a ladainha que parecia ininterrupta sustém-se, por momentos, numa carruagem cheia pelos risos abafados. da despedida só guardo memória de um desconcertante sorriso. agoirento.

segunda-feira, 15 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010


voyeirismo faz-se sem flash.

domingo, 7 de março de 2010

tempo suspenso


Oddments Room II
(Voyages of the Adventure and Beagle), 2008
Prova cromogénea sobre alumínio e Diasec
218x175

Exposição Tempo Suspenso de Jane e Louise Wilson.

sábado, 6 de março de 2010

das insónias III

[...] quanto a mim, vai ser bonito, a quem a ainda não foi dado a determinar com o menor grau de precisão o que sou, onde estou, se sou palavras no meio de palavras, ou se sou o silêncio dentro do silêncio, para lembrar apenas duas das hipóteses avançadas a esse respeito [...]

Samuel Beckett, O Inominável

das insónias II

[...] as palavras estão em todo o lado, em mim, fora de mim, ora essa, ainda há pouco não tinha espessura, ouço-as, não preciso de as ouvir, não preciso de uma cabeça, é impossível pará-las, é impossível parar, sou de palavras, sou feito de palavras, das palavras dos outros, que outros, e o lugar também, o ar também, as paredes, o chão, o tecto, palavras, o universo está todo aqui [...]

Samuel Beckett, O Inominável

das insónias I

Mas eu não digo nada, não sei nada, estas vozes não são minhas, nem estes pensamentos, mas dos inimigos que me habitam.

Samuel Beckett, O Inominável

domingo, 21 de fevereiro de 2010

estar aborrecida dá nestas coisas

fiz o teste (jung typology test) e este foi o resultado. (o mais estranho é que acho que me reconheço nesta treta)

do doc lx para as salas de cinema

a serious man

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

de simples não tem nada

para onde ando a olhar

Esbarrei várias vezes com este poster pelas ruas de Lisboa antes de perceber do que é que se tratava.
O filme de Lorenzo Degl'Innocenti "Desassossego" conta a história de Ivan, um frustrado empregado de charcutaria preso à tradição familiar que sonha desesperadamente em abrir uma loja onde possa vender e desenhar os seus próprios móveis.
(Porque é que isto me soa tão bem?)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

isto explica muita coisa


14e arrondissement do Alexander Payne é a minha curta preferida da colectânea paris je t'aime.

determinados lugares

por estes dias gostava de andar por aqui.
(ah e descubram a história da reaparecida versão original do Metropolis, depois digam-me que as minhas manias são disparatadas.)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

when the seagulls...

segundo este senhor só podia ser mulher.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


dizem-me que não sou feita das palavras que conheço. enganam-se. não sou senão as palavras que colecciono.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

não é bem isto


não é bem isto, é outra coisa qualquer. fico na mesma, depois de trocar de lugar 5, 10, 100 vezes. já sinto o formigueiro. as novas ideias prendem-se com roteiros, fazedores de mapas só por nós imaginados, que no fim vão dar a sítios que sempre lá estiveram, mas nunca nos pareceram banais. entre a euforia de ter encontrado aquele sítio para almoçar [este pode muito bem ser o início de uma nova rotina, de uma nova lista - minimalista, porque há horas de almoço para cumprir] percebo que ao não querer ser nada em concreto [só sei que não quero ser isto] me perco em incontáveis projectos assumidamente irrealistas. ao almoço disse o que gostava de ter ouvido, espero que tenha servido. quanto a mim já me decidi, nada de malas pequenas, orwell faz-me companhia no metro e a Holga à hora do almoço.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010