terça-feira, 14 de setembro de 2010

também Shaw

era fotógrafo, o espólio pode ser consultado aqui (visto no ípsilon)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

a fazer lembrar a twilight zone

Quem estava comigo desesperou. Só para quem gosta de ficção científica à antiga.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

das leituras

Tentei explicar isto no outro dia e talvez isso explique muita coisa. Ao contrário da maioria, os meus anos oitenta não foram famosos, desde a indumentária foleira, às cassetes dos mini stars, a única coisa que se safava era eu ser uma miúda feliz. Época áurea das fotografias de família, apareço sempre a sorrir, contente com a vida. Quanto à literatura: tinha revistas aos quadradinhos do tio patinhas e os livros da Anita; nesses tempos o meu verdadeiro orgulho era a colecção invejável de barbies, impecáveis e cheias acessórios.


Na altura em que devia ter começado a ler calhou não haver nenhum professor de português na zona e o meu pai, que acredito ter feito das tripas coração – mas que nunca teve muita paciência nem jeito para aquilo -- lá fez as vezes do professor primário que me faltava. Sentar-me na mesa da sala para a lição diária passou rapidamente a ser uma tortura de laivos kafkianos, eu não percebia a lógica daquilo, não sabia sequer o que era suposto estar a aprender e só a muito custo um “t” e um “e” se transformavam em ... Resultado: só quando tive uma professora a sério é que a coisa começou a funcionar.


Quando estava na segunda classe, quis o destino que os meus pais me tivessem de largar às 8h da manhã na escola, continuo a achar que era à minha mãe que custava mais essa minha hora de espera até as aulas começarem e com isso ganhei pontos e por pontos entenda-se cem escudos para comer um bolo no café do outro lado da rua. A senhora era simpática, eu tinha 7/8 anos e um sorriso capaz de desarmar quem quer que fosse. Os cem escudos rapidamente começaram a ser desviados dos bolos para os livros. O plano era o seguinte: Aos fins-de-semana, na secção dos livros do supermercado, escolhia um volume da colecção “uma aventura” e dava os quinhentos escudos ao meu pai, a minha mãe começou a desconfiar, mas não percebia de onde é que vinha o dinheiro e, por uns tempos, o plano resultou às mil maravilhas. Este foi, sem dúvida, o meu momento mais apaixonado pela literatura. Nada de leituras vanguardistas, nada de livros paradigmáticos da literatura infanto-juvenil (daqueles que aparecem em listas altamente reputadas tipo o moby dick). Era uma miúda feliz e a minha grande dúvida existencial da época - que eu me lembre - tinha aparecido uns anos antes e resumia-se ao seguinte: duvidava da existência do peter pan - sim o filme da disney teve algum impacto e, na dúvida, durante uns meses deixei a janela do quarto destrancada.


Não sei se esta introdução fará sentido para alguém, mas antes de escrever o que se segue quis deixar claro qual foi o momento em que percebi que gostava de ler.


Nunca gostei da expressão “leio compulsivamente”.

Não gosto da expressão, porque é exagerada. É aquele exagero bacoco – não sei se me faço entender, é como quando nos perguntam pelos nossos defeitos, a resposta “sou teimoso” é a escolha invariável– o ler compulsivamente tem disso, aquela auto-censura cínica, nem que eu quisesse conseguiria evitar ler tanto - segue-se sempre um sorriso contido e sobranceiro - aquele defeito é sobretudo uma virtude e ler compulsivamente é melhor do que ler.

São normalmente estas as pessoas que seguem diligentemente as inúmeras listas dos livros a ler - os melhores do ano, os melhores do século, os recomendados pelo blog/revista da moda, os melhores sempre desconsiderados pelos cânones clássicos, mas que são verdadeiramente os melhores - e nunca se vêem com um livro que não tenha sido previamente aprovado por alguém que percebe do assunto. E tendo sido aprovado, não se discute. Exalta-se, enaltece-se, fica-se sem palavras... mas nunca se discute.


Eu não leio compulsivamente, desde que aprendi a ler e comecei a trocar bolos por livros, só leio, sem desmesura.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

recomeçar

setembro à porta. são resquícios de outros tempos, acho sempre que o ano começa agora.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

versão moderada

depois das dicas sobre como despachar dolorosamente quem nos mói o juízo a m. - que diz que a sorte do tipo é eu ser boa pessoa, ah! - manda-me esta ilustração: a alternativa moderada, para pessoas boazinhas ;)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

hoje

Retirado daqui (se alguém a quiser oferecer para eu emoldurar e pôr no gabinete, agradeço. porque há gente que ainda não percebeu que tudo o que eu quero é que me deixem sossegada - não, não gosto de pessoas e não preciso de mais amigos).

sábado, 14 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

leituras

- Tinha acontecido o que tinha de acontecer - diz Santiago. - Eu julgava que já tinha acontecido e só acontecera essa manhã.
Tinham estado juntos toda a manhã, um bichinho como uma cobra, não tinham ido às aulas porque Jacobo lhe tinha dito quero falar contigo a sós, uma cobra afiada como uma faca, tinham caminhado pelo Paseo de La República, uma faca como dez facas, tinham-se sentado num banco da fonte do Parque de la Exposición. Pelas faixas paralelas da Avenida Arequipa passavam automóveis e uma faca entrava muito levemente e outra saía e voltava a entrar devagarinho, e eles avançavam pela alameda que estava escura e vazia, e outro como num pão de côdea finita e muito miolo no seu coração, e de súbito a vozinha calou-se.

[...]

Era outro que falava, pensa, não eras tu. A voz um pouco mais firme agora, mais natural, Zavalita: não era ele, não podia ser ele. Compreendia, explicava, aconselhava duma altura neutral e pensava não sou. Ele era uma coisa pequenina e maltratada, uma coisa que se encolhia debaixo dessa voz, uma coisa que se escapulia e corria e fugia. Não era orgulho, nem despeito, nem humilhação, pensa, nem sequer ciúmes. Pensa: era timidez. Ela escutava-o imóvel, observava-o com uma expressão que ele não sabia nem queria decifrar, e de repente tinha-se levantado e tinham percorrido calados meio quarteirão, enquanto, tenazes, silenciosas, as facas continuavam a carnificina.

Mario Vargas Llosa, Conversa n'A Catedral

sábado, 7 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

dos presentes dos outros

At Work


The new world of photography


National Geographic
Greatest Portraits


queixo-me do preço dos livros de fotografia. acabo sempre a comprar ensaios. ou ficção.
uma vez por ano fazem-me a vontade.
a inspiração é oferecida e eu calo-me. com um sorriso contido.




efémero



ainda à procura de inspiração para as paredes.

mais sobre a miso aqui.