quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
leituras
- Tinha acontecido o que tinha de acontecer - diz Santiago. - Eu julgava que já tinha acontecido e só acontecera essa manhã.
Tinham estado juntos toda a manhã, um bichinho como uma cobra, não tinham ido às aulas porque Jacobo lhe tinha dito quero falar contigo a sós, uma cobra afiada como uma faca, tinham caminhado pelo Paseo de La República, uma faca como dez facas, tinham-se sentado num banco da fonte do Parque de la Exposición. Pelas faixas paralelas da Avenida Arequipa passavam automóveis e uma faca entrava muito levemente e outra saía e voltava a entrar devagarinho, e eles avançavam pela alameda que estava escura e vazia, e outro como num pão de côdea finita e muito miolo no seu coração, e de súbito a vozinha calou-se.
[...]
Era outro que falava, pensa, não eras tu. A voz um pouco mais firme agora, mais natural, Zavalita: não era ele, não podia ser ele. Compreendia, explicava, aconselhava duma altura neutral e pensava não sou. Ele era uma coisa pequenina e maltratada, uma coisa que se encolhia debaixo dessa voz, uma coisa que se escapulia e corria e fugia. Não era orgulho, nem despeito, nem humilhação, pensa, nem sequer ciúmes. Pensa: era timidez. Ela escutava-o imóvel, observava-o com uma expressão que ele não sabia nem queria decifrar, e de repente tinha-se levantado e tinham percorrido calados meio quarteirão, enquanto, tenazes, silenciosas, as facas continuavam a carnificina.
Mario Vargas Llosa, Conversa n'A Catedral
sábado, 7 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
inspiração
o final da tarde foi dedicado aos projectos impossíveis, regados com o melhor chá fresco de lisboa. esta era a inspiração de que te falava: Aires Mateus, casa em lisboa, 2009, e Alberto Caetano, apartamento em lisboa, 2009, as fotografias perfeitas aqui (reportagens 325 e 321).
a cor de uma noite de verão
a data aproxima-se inexorável. a m. pede-me que não me junte ao clube dos 27. disso não há perigo. na música não dou uma para a caixa. de resto mantém-se o bicho. melancólico, sussurra: ainda não é isto.
sábado, 24 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
leituras
The aim of this book is not to create a checklist of all of the photographers who merit a mention in a discussion on contemporary art, but to give a sense of the spectrum of motivations and expressions that currently exist in the field.
Charlote Cotton, the photography as contemporary art
terça-feira, 6 de julho de 2010
leituras
All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person's (or thing's) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time's rentless melt.
Though an event has come to mean, precisely, something worth photographing, it is still ideology (in the broadest sense) that determines what constitutes an event. There can be no evidence, photographic ore otherwise, of an event until the event itself has been named and characterized. And it is never photographic evidence which can construct - more properly, identify - events; the contribution of photography always follows the naming of the event. What determines the possibility of being affected morally by photographs is the existence of a relevant political consciousness. Without a politics, photographs of the slaughter-bench of history will most likely be experienced as, simply, unreal or as a demoralizing emotional blow.
Quotations
Your photography is a record of your living for anyone who really sees. You may see and bee affected by other people's ways, you may even use them to find your own, but you will have eventually to free yourself from them. That is what Nietzsche meant when he said, "I have just read Shopenhauer, now I have to get rid of him." He knew how insidious other people's ways could be, particularly those wich have the forcefulness of profound experience, if you let them get between you and your own vision. - Paul Strand
If I could tell the story in words, I wouldn't need to lug a camera. - Lewis Hine
Susan Sontag, On Photography
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