segunda-feira, 16 de novembro de 2009

a recuperar


do mesmo realizador de Nobody Knows

p.s. volto devagar (sessões de cinema no king com o recém-adquirido medeia card)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

despedidas

despeço-me lentamente das marias cheias de fé. da maria da anunciação, da maria da luz, da maria da conceição, da maria da ressurreição, da maria celeste dos anjos e da maria clementina, a do vestido demasiado florido e do chapéu plástico cor-de-rosa, o motivo para ali estarmos todos naquele dia. naquela figura, repetiu, um por um todos palavrões de que se lembrava.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

a planear o regresso

Mostra de cinema de Hong Kong, parece-me uma boa maneira de começar o meu plano épico: passar todas as horas disponíveis dentro de uma sala de cinema.
(claro que este plano épico já está a ser posto em causa por convites tentadores para o teatro e um curso de fotografia que era suposto só abrir uma vez por ano...)

humor

ri-me sozinha com isto... acho que o trabalho me anda a alterar o humor...

p.s. eu admito, foi pior do que isso, pensei cá para mim, se fosse eu mandava registar e autuar por difamação... triste, eu sei.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

da fé

chegou cedo e esperou, obrigado, para nada de relevante dizer. é daqueles casos: contra factos não há argumentos e dar-lhe a hipótese de explicar o que não tem desculpa possível só torna toda a situação mais confrangedora. tudo piora com a barreira intransponível da linguagem, não são só as palavras, é toda a postura. olha para a janela enquanto falam com ele, impaciente. quem o exaspera irrita-se perante a insolência, perante a resposta invariável a todas as perguntas que lhe são feitas, diz sim a tudo, e perdem-se 5 minutos a tentar perceber se ele é pedreiro ou carpinteiro. irrita ainda a impaciência irracional, de quem quer ir embora e não tem para onde ir, não tem emprego, não faz biscates, não paga a renda.
todo aquele teatro me parece inútil.

também eu divago. penso no episódio com os agentes do "sef" alemão no aeroporto em colónia. tendo hipótese, a maioria escolhe ser como aqueles agentes absolutamente intragáveis. brincavam aos pequenos déspotas perguntando-me o nome 3 vezes, demasiado longo segundo os seus costumes, verificavam a autenticidade do passaporte, trocavam piadas em alemão... na certeza de que quem estava à sua frente não os percebia. o que mais me enervou foi o sorriso rasgado que mantiveram durante todo o episódio.

não sorri, nem berrei - como se berrasse o fizesse entender melhor o que estava a dizer. limitei-me a agir como sempre. o que ele fez é rotina por estas bandas, não ter emprego e não pagar a renda também.

domingo, 11 de outubro de 2009

Il Divo

a realização que mais me impressionou nos últimos tempos... retrato pop da figura sinistra e extraordinariamente impassível de Giulio Andreotti.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

havia nas palavras dela a serena certeza de que este era o melhor lugar no mundo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

mafalda(s)

A propósito dos 45 anos da mafalda, para as mafaldas da minha vida (uma em lisboa outra em bruxelas, as duas a pensar em ir para a argentina, acho que não é preciso dizer mais nada).

p.s.1 sim, a tira foi escolhida a pensar nas últimas eleições.

p.s.2 raparigas que leram mafalda quando eram pequenas são melhores que as outras.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

com um inesperado nó na garganta, comecei - como a m. - a contagem decrescente... no fundo sou uma desgraça. dou comigo a apontar nomes como "Irondina" porque parecem nomes de contos e não os quero esquecer.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono!...

Álvaro de Campos

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Paula Rego
Peter Pan: Mermaid Drowning Wendy, 1992

A propósito da casa das histórias

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

as últimas






Canon FTb, Minas de São Domingos, Verão 2009

do vermelho ocre





Canon FTb, Minas de São Domingos, Verão 2009
andava com sede de pegar na máquina, nem tudo saiu como queria. de todas as séries a minha preferida é a das ruínas das minas de São Domingos, acho que o redscale funcionou bem com a paisagem agreste e enferrujada... é a última série de imagens do curto verão de 2009.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

no mercado



Canon Ftb, mercado Minas de São Domingos, Verão 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

a sul.



Canon FTb, Mértola, Verão 2009

de norte




Canon FTb, Viseu, Verão 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

das pessoas




Canon FTb, Lisboa, Verão 2009

as primeiras


do 1.º rolo com a ensign só estas se safaram...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

leituras

"Tinha esperado com toda a sinceridade ser um verdadeiro amigo. Tinha esperado, digo; mas as suas esperanças perderam-se na descoberta de algo que sempre soubera: o facto de não passar de um aborto, de uma criatura taciturna, cheia de marcas de mosca, com sangue semítico nas veias."
Henry Miller, Moloch

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

para m. e l.

ando com vontade de inventar.
p.s. é a rua do fábulas.

dispensável

Terraço, Agosto 2008

Com tanto para fazer em Lisboa têm mesmo de começar pelo Terraço?
(isto do restaurante de "qualidade" (para não dizer "provavelmente inacessível aos lisboetas que costumam passar por aqui" - sim, porque o Terraço não é propriamente barato, mas sempre dá para pedir um café e ficar a ler que ninguém nos chateia) faz-me lembrar um lugar à beira-rio, lá para os lados de Santa Apolónia com um nome tão cool que enerva e um serviço digno de ser mencionado pela capacidade verdadeiramente incomparável de conseguir acordar a Miss Hyde que há em mim em tempo recorde...)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

com vontade de ir ver

Traços Que Desenham os Filmes
na Cinemateca

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

reflexos

Sempre aos pares, miúdas de 14 anos, altivas e enfadadas e suas mães, orgulhosas da imbecilidade que criaram, cirandam pelos corredores... A imagem lembra-me os casacos pendurados junto à estrada e as mulheres a quem pertencem. Impassíveis, sob o sol das duas da tarde, esperam os clientes que não tardam em chegar.

domingo, 23 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

hal hartley



Logo dois de uma vez. Personagens que passam o dia a ler, as profissões pouco importam e assim se criam histórias de amor com com uma aura platónica algo inesperada... ah, e ainda há umas tiradas de esquerda, muito fim dos anos 80, início dos 90... gostei, vai-se lá saber porquê.

(p.s. obrigada)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Såsom i en spegel

Såsom i en spegel (Em Busca da Verdade), Igmar Bergman


"For now we see through a glass, darkly." (in Corinthians 13:12 )

terça-feira, 18 de agosto de 2009

leituras


Capitulo 7

Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.


(Lido obsessivamente pode provocar pensamentos estapafúrdios. No meu caso e dada a minha actual situação, elaborei esquemas fantásticos para arranjar o trabalho perfeito, ou seja, aquele que me permitisse passar o resto das minhas tardes a ler numa esplanada perdida na costa da Galiza.)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

das imagens

Floating Sauna - Hardangerfjord Norway 2002

Ecos de uma realidade crua, feia, estupidamente desgastante. Nas palavras reconheci uma lógica que nunca foi a minha.

Mergulhei nas imagens, como quem quer desaparecer.
Percorri as minhas e descobri que a que mais agrada a quem não conheço é, entre outras coisas, um monumento à tristeza.
Percorri as de m. e tive vontade de fotografar com ela.
Perdi-me a percorrer centenas de outros que não conheço, até me sentir embriagada.
Sorri com o projecto impossível; parei num blog cheio de projectos improváveis de onde retirei a floating sauna - hoje, o local eleito para me teletransportar - e onde descobri que ainda se viaja tendo como ponto de partida roteiros verdadeiramente inesperados.
Finalmente voltei à superfície, à sopa, ao telejornal, ao ladrar do cão da casa da frente, ao calor pastoso, à rotina muito pouco fotogénica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

onírico


reality is arbitrary

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

reminiscências V


o sítio perfeito: passava o resto das minhas tardes aqui, a ler.

reminiscências IV



reminiscências III


(sim, agosto 2009, norte de Espanha... let's not talk about the weather)