até chegar aos anjos é céline - a morte, pela manhã, tem sabor a noite mal dormida. depois são as palavras, não estas. as outras a que devo dar significado. e do dia resta pouco. até chegar novamente ao metro. a horas mortas e parcamente acompanhada sou apanhada por uma voz forte de mulher a cantar salmos por si inventados. olho para o chão, evito ser interpelada. as senhoras da limpeza, sempre em grupo - coisa curiosa que um dia hei-de tentar explicar - são mais benevolentes do que eu e o monólogo sobre improváveis significados e inexoráveis castigos eternos surge para todos e não apenas para as benevolentes. fomos avisados. a personagem profética, com ar de ter saído de um qualquer canto do livro que arrasto comigo, acompanha-nos no metro. a ladainha que parecia ininterrupta sustém-se, por momentos, numa carruagem cheia pelos risos abafados. da despedida só guardo memória de um desconcertante sorriso. agoirento.
quarta-feira, 17 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
tempo suspenso

Oddments Room II
(Voyages of the Adventure and Beagle), 2008
Prova cromogénea sobre alumínio e Diasec
218x175
Exposição Tempo Suspenso de Jane e Louise Wilson.
sábado, 6 de março de 2010
das insónias III
[...] quanto a mim, vai ser bonito, a quem a ainda não foi dado a determinar com o menor grau de precisão o que sou, onde estou, se sou palavras no meio de palavras, ou se sou o silêncio dentro do silêncio, para lembrar apenas duas das hipóteses avançadas a esse respeito [...]
Samuel Beckett, O Inominável
das insónias II
[...] as palavras estão em todo o lado, em mim, fora de mim, ora essa, ainda há pouco não tinha espessura, ouço-as, não preciso de as ouvir, não preciso de uma cabeça, é impossível pará-las, é impossível parar, sou de palavras, sou feito de palavras, das palavras dos outros, que outros, e o lugar também, o ar também, as paredes, o chão, o tecto, palavras, o universo está todo aqui [...]
Samuel Beckett, O Inominável
das insónias I
Mas eu não digo nada, não sei nada, estas vozes não são minhas, nem estes pensamentos, mas dos inimigos que me habitam.
Samuel Beckett, O Inominável
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
para onde ando a olhar

Esbarrei várias vezes com este poster pelas ruas de Lisboa antes de perceber do que é que se tratava.
O filme de Lorenzo Degl'Innocenti "Desassossego" conta a história de Ivan, um frustrado empregado de charcutaria preso à tradição familiar que sonha desesperadamente em abrir uma loja onde possa vender e desenhar os seus próprios móveis.
(Porque é que isto me soa tão bem?)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
isto explica muita coisa
14e arrondissement do Alexander Payne é a minha curta preferida da colectânea paris je t'aime.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
não é bem isto
não é bem isto, é outra coisa qualquer. fico na mesma, depois de trocar de lugar 5, 10, 100 vezes. já sinto o formigueiro. as novas ideias prendem-se com roteiros, fazedores de mapas só por nós imaginados, que no fim vão dar a sítios que sempre lá estiveram, mas nunca nos pareceram banais. entre a euforia de ter encontrado aquele sítio para almoçar [este pode muito bem ser o início de uma nova rotina, de uma nova lista - minimalista, porque há horas de almoço para cumprir] percebo que ao não querer ser nada em concreto [só sei que não quero ser isto] me perco em incontáveis projectos assumidamente irrealistas. ao almoço disse o que gostava de ter ouvido, espero que tenha servido. quanto a mim já me decidi, nada de malas pequenas, orwell faz-me companhia no metro e a Holga à hora do almoço.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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