segunda-feira, 30 de novembro de 2009

viagem de metro... ou como dostoiévski me anima os dias

Não só não consegui tornar-me mau, como não consegui tornar-me absolutamente nada: nem mau, nem bom, nem vilão, nem honesto, nem herói, nem insecto. agora que estou no fim dos meus dias, metido no meu buraco, escarneço de mim próprio e consolo-me com essa certeza, tão biliosa como inútil, de que um homem inteligente não pode tornar-se nada, só os parvos se tornam qualquer coisa.

Fiódor Dostoiévski, Cadernos do Subterrâneo

sábado, 28 de novembro de 2009

das imagens

Mario Soares coloca um barrete durante a visita ao concelho de Castanheira de Pera a 18 de Fevereiro de 1984.
MANUEL MOURA / LUSA PRT Castanheira de Pera LUSA © 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.


Cerca de dois milhões de imagens do acervo fotográfico da agência Lusa já estão disponíveis através do portal Sapo.

Jorge Molder



A propósito da exposição "A interpretação dos sonhos" - Fotografias de Jorge Molder, na Gulbenkian
No início do ano, Jorge Molder doou ao CAM duas séries de fotografias: O Pequeno Mundo, de 2000, e Não tem que me contar seja o que for, 2006-2007. Além destes trabalhos, é apresentada uma terceira série, recente e inédita, A interpretação dos sonhos, que dá título à exposição.

Moon

segunda-feira, 16 de novembro de 2009




penso nos corredores intermináveis que não vão dar a lado nenhum.
resgato a obsessão por séries de fotos dedicadas a filmes de terror possíveis.

a recuperar


do mesmo realizador de Nobody Knows

p.s. volto devagar (sessões de cinema no king com o recém-adquirido medeia card)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

despedidas

despeço-me lentamente das marias cheias de fé. da maria da anunciação, da maria da luz, da maria da conceição, da maria da ressurreição, da maria celeste dos anjos e da maria clementina, a do vestido demasiado florido e do chapéu plástico cor-de-rosa, o motivo para ali estarmos todos naquele dia. naquela figura, repetiu, um por um todos palavrões de que se lembrava.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

a planear o regresso

Mostra de cinema de Hong Kong, parece-me uma boa maneira de começar o meu plano épico: passar todas as horas disponíveis dentro de uma sala de cinema.
(claro que este plano épico já está a ser posto em causa por convites tentadores para o teatro e um curso de fotografia que era suposto só abrir uma vez por ano...)

humor

ri-me sozinha com isto... acho que o trabalho me anda a alterar o humor...

p.s. eu admito, foi pior do que isso, pensei cá para mim, se fosse eu mandava registar e autuar por difamação... triste, eu sei.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

da fé

chegou cedo e esperou, obrigado, para nada de relevante dizer. é daqueles casos: contra factos não há argumentos e dar-lhe a hipótese de explicar o que não tem desculpa possível só torna toda a situação mais confrangedora. tudo piora com a barreira intransponível da linguagem, não são só as palavras, é toda a postura. olha para a janela enquanto falam com ele, impaciente. quem o exaspera irrita-se perante a insolência, perante a resposta invariável a todas as perguntas que lhe são feitas, diz sim a tudo, e perdem-se 5 minutos a tentar perceber se ele é pedreiro ou carpinteiro. irrita ainda a impaciência irracional, de quem quer ir embora e não tem para onde ir, não tem emprego, não faz biscates, não paga a renda.
todo aquele teatro me parece inútil.

também eu divago. penso no episódio com os agentes do "sef" alemão no aeroporto em colónia. tendo hipótese, a maioria escolhe ser como aqueles agentes absolutamente intragáveis. brincavam aos pequenos déspotas perguntando-me o nome 3 vezes, demasiado longo segundo os seus costumes, verificavam a autenticidade do passaporte, trocavam piadas em alemão... na certeza de que quem estava à sua frente não os percebia. o que mais me enervou foi o sorriso rasgado que mantiveram durante todo o episódio.

não sorri, nem berrei - como se berrasse o fizesse entender melhor o que estava a dizer. limitei-me a agir como sempre. o que ele fez é rotina por estas bandas, não ter emprego e não pagar a renda também.

domingo, 11 de outubro de 2009

Il Divo

a realização que mais me impressionou nos últimos tempos... retrato pop da figura sinistra e extraordinariamente impassível de Giulio Andreotti.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

havia nas palavras dela a serena certeza de que este era o melhor lugar no mundo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

mafalda(s)

A propósito dos 45 anos da mafalda, para as mafaldas da minha vida (uma em lisboa outra em bruxelas, as duas a pensar em ir para a argentina, acho que não é preciso dizer mais nada).

p.s.1 sim, a tira foi escolhida a pensar nas últimas eleições.

p.s.2 raparigas que leram mafalda quando eram pequenas são melhores que as outras.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

com um inesperado nó na garganta, comecei - como a m. - a contagem decrescente... no fundo sou uma desgraça. dou comigo a apontar nomes como "Irondina" porque parecem nomes de contos e não os quero esquecer.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono!...

Álvaro de Campos