Uma estação por onde já não passam comboios, sonhei mais do que uma vez com este lugar, sem ter a certeza de que existisse mesmo... afinal está mesmo ali em Monção. Gostava que fosse meu. Sim, ver filmes do género The Station Agent não me ajudam a querer coisas minimamente ajuizadas.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
m
m. que é feita de música, só o admite quando escreve e eu vicio-me num mundo transformado em palavra mas onde, na realidade, tudo é sonoridade. m. é música e eu era capaz de ficar dias a ouvi-la... queria apanhá-la assim, com a máquina, quando ela trauteia e sei que pensa em tudo como se da letra de uma canção se tratasse. mas m. não é só isso, é quem me apanha desprevenida, com a resposta para a pergunta que me vai atormentando... o trabalho perfeito para ti... e não é que me imagino mesmo ali, onde ela também me imaginou, apesar de ter passado a semana a pensar que, no final, não encaixo em lado nenhum.
escrito depois de ter visto o mail que mais me fez sorrir esta semana...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
outras leituras
Years later he'd stood in the charred ruins of a library where blackened books lay in pools of water. Shelves tipped over. Some rage at the lies arranged in their thousands row on row. He picked up one of the books and thumbed through the heavy bloated pages. He'd not have thought the value of the smallest thing predicated on a world to come. It surprised him. That the space which these things occupied was itself an expectation.
Cormac McCarthy, The Road
segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
ainda nas coincidências

Fui vê-lo à Trama, depois de uma semana calejada por histórias semelhantes. Na livraria as coincidências são inevitáveis, a única coisa que realmente sei fazer é ler. Encontrei A Viagem ao Fim da Noite com uma capa decente (e as discussões que já tive à conta da capa medonha da edição que possuo), quase o comprei só por causa disso... um livro lixado, lido em dois dias na primeira semana em Colónia e que ainda hoje ando a remoer, há coisas que não se esquecem, há solidão que só se descreve pelo que se leu. E depois foi o distribuir da letra Mulheres de Atenas e eu que não ouvia Chico Buarque, engulo em seco cada vez que a música toca e volto atrás no cd e oiço-a novamente, uma letra daquelas e há quem não goste... idiotas. Não há gender chicks em M.B., só reflexos pálidos de mulheres de atenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
quarta-feira, 1 de julho de 2009
coincidências

Não sei se é do silêncio, mas esbarro com coincidências subtis, como se as mesmas histórias andassem a ser repetidas, susurradas, presentes em tudo o que faço... o Tchítchikov sem moral de Gogol foi substituído pelo Consul de Lowry. A visão do inferno repete-se. A vontade de redenção está opressivamente presente em Geoffrey, o inexorável falhanço certo desde a primeira página. Sem surpresa a salvação nunca chegou a ser uma possibilidade nas Almas Mortas. Conclusão: não há finais felizes. O sentimento de angústia aloja-se num canto escondido da minha memória. Nos Morangos Selvagens de Bergman vejo que Marianne veio tomar o lugar Yvonne. A imagem das mulheres sofridas, impenetráveis cola-se ao espírito como uma sombra, a angústia alastra-se.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009

words don't always tell the entire story.
We chose to shoot this film in 35mm in the anamorphic 2:35 aspect ratio. When I was fifteen I was fortunate enough to see a re-released print of Lawrence of Arabia in the theater. I'll never forget how the landscape helped define that story and the affect that had on me. I've wanted to tell stories in scope ever since.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
o uso da imagem no discurso político no MUDE


A exposição, que consiste numa mostra de parte do espólio da colecção de cartazes políticos (a maior e mais abrangente do mundo que, com os cartazes de publicitação comercial e cultural, chega aos 350 mil espécimens) do Museu do Design de Zurique, ficou aquém do esperado, os 250 cartazes escolhidos sabem a pouco, ainda assim a entrada é gratuita e as imagens de Yulia Tymoshenko (sim, a da trança à volta da cabeça) caracterizada como astronauta, motard, pop star, cavaleira medieval, etc., só por si, valem a viagem.
sábado, 13 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
outras leituras
"Contudo, era como se o destino lhe tivesse fixado a idade num momento não identificável do passado, no momento em que a sua persistente pessoa objectiva, talvez cansada de uma permanente atitude de desconfiança e cônscia da sua queda, se tivesse finalmente retirado por completo de si mesma, como um navio que secretamente abandonasse o porto pela madrugada."
Malcom Lowry, Debaixo do Vulcão
sábado, 6 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
so, billy holiday is constantly on the passenger seat
demoro-me a olhar para determinadas pessoas, gostava de as fotografar, fotografar aquilo que ainda não tinha visto em mais lado nenhum... principalmente as mulheres, que raio de terra de mulheres sofridas, mas o registo não é possível, sei-o e acomodo-me. ultimamente converso pouco, suponho que seja normal... os monólogos interiores têm andado a sobrepor-se às cordiais trocas de palavras sobre o tempo, sobre a comida, sobre o trabalho - "tem aí muito trabalho dr.ª"... um dia ainda me descaio e por cima de todos outros adjectivos (lisboeta, demasiado nova, inexperiente, calada) ainda me vai calhar um "a dr.ª tem um parafuso a menos, coitada"... dou comigo a pensar que ainda é terça, quando já é quarta... não me conseguindo lembrar do que fiz na segunda. há quem, conhecendo-me desde sempre, já diga que ando de humor instável, há quem, não me conhecendo de lado nenhum, diga que ando com má cara, doente. talvez isto não ande bem, mas entre a burocracia constante, os momentos caricatos, as obrigações absurdas, há todos aqueles casos que levo para casa, que levo para lisboa, no carro, que discuto comigo mesma no supermercado, no duche, os que têm de ser resolvidos, os que quero resolver bem e leio e releio e tento pensar em todas as soluções possíveis e dou comigo a duvidar, se calhar gosto mesmo disto.
ainda assim, há que mudar a banda sonora.
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