quarta-feira, 8 de julho de 2009

outras leituras

Years later he'd stood in the charred ruins of a library where blackened books lay in pools of water. Shelves tipped over. Some rage at the lies arranged in their thousands row on row. He picked up one of the books and thumbed through the heavy bloated pages. He'd not have thought the value of the smallest thing predicated on a world to come. It surprised him. That the space which these things occupied was itself an expectation.

Cormac McCarthy, The Road

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Yann Tiersen no CCB

hoje, é isto que estou a perder.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

ainda nas coincidências


Fui vê-lo à Trama, depois de uma semana calejada por histórias semelhantes. Na livraria as coincidências são inevitáveis, a única coisa que realmente sei fazer é ler. Encontrei A Viagem ao Fim da Noite com uma capa decente (e as discussões que já tive à conta da capa medonha da edição que possuo), quase o comprei só por causa disso... um livro lixado, lido em dois dias na primeira semana em Colónia e que ainda hoje ando a remoer, há coisas que não se esquecem, há solidão que só se descreve pelo que se leu. E depois foi o distribuir da letra Mulheres de Atenas e eu que não ouvia Chico Buarque, engulo em seco cada vez que a música toca e volto atrás no cd e oiço-a novamente, uma letra daquelas e há quem não goste... idiotas. Não há gender chicks em M.B., só reflexos pálidos de mulheres de atenas.

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas


quarta-feira, 1 de julho de 2009

coincidências

















Não sei se é do silêncio, mas esbarro com coincidências subtis, como se as mesmas histórias andassem a ser repetidas, susurradas, presentes em tudo o que faço... o Tchítchikov sem moral de Gogol foi substituído pelo Consul de Lowry. A visão do inferno repete-se. A vontade de redenção está opressivamente presente em Geoffrey, o inexorável falhanço certo desde a primeira página. Sem surpresa a salvação nunca chegou a ser uma possibilidade nas Almas Mortas. Conclusão: não há finais felizes. O sentimento de angústia aloja-se num canto escondido da minha memória. Nos Morangos Selvagens de Bergman vejo que Marianne veio tomar o lugar Yvonne. A imagem das mulheres sofridas, impenetráveis cola-se ao espírito como uma sombra, a angústia alastra-se.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Daydreaming with Through the Looking-Glass, and What Alice Found There.
It begins with something simple like "I can't wear this to work" and suddenly the whole week is a weird reflection of something that could be my life.

ensign, the british chick

sim, sim... é a última aquisição.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


words don't always tell the entire story.

We chose to shoot this film in 35mm in the anamorphic 2:35 aspect ratio. When I was fifteen I was fortunate enough to see a re-released print of Lawrence of Arabia in the theater. I'll never forget how the landscape helped define that story and the affect that had on me. I've wanted to tell stories in scope ever since.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

oxalá te veja



stop.rewind. ... começar a pensar em coisas boas que o fim de semana está à porta.

so...the soundtrack hasn't changed that much


sim, fico uma desgraça com este filme.

terça-feira, 16 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

o uso da imagem no discurso político no MUDE


A exposição, que consiste numa mostra de parte do espólio da colecção de cartazes políticos (a maior e mais abrangente do mundo que, com os cartazes de publicitação comercial e cultural, chega aos 350 mil espécimens) do Museu do Design de Zurique, ficou aquém do esperado, os 250 cartazes escolhidos sabem a pouco, ainda assim a entrada é gratuita e as imagens de Yulia Tymoshenko (sim, a da trança à volta da cabeça) caracterizada como astronauta, motard, pop star, cavaleira medieval, etc., só por si, valem a viagem.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

outras leituras

"Contudo, era como se o destino lhe tivesse fixado a idade num momento não identificável do passado, no momento em que a sua persistente pessoa objectiva, talvez cansada de uma permanente atitude de desconfiança e cônscia da sua queda, se tivesse finalmente retirado por completo de si mesma, como um navio que secretamente abandonasse o porto pela madrugada."
Malcom Lowry, Debaixo do Vulcão

sábado, 6 de junho de 2009


... o resto já está no sítio do costume

quinta-feira, 4 de junho de 2009

registos de uma vida passada








Fotos de rolos que já andavam a ganhar bolor.
e ainda vou estando atenta a umas coisas: blographo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

so, billy holiday is constantly on the passenger seat

demoro-me a olhar para determinadas pessoas, gostava de as fotografar, fotografar aquilo que ainda não tinha visto em mais lado nenhum... principalmente as mulheres, que raio de terra de mulheres sofridas, mas o registo não é possível, sei-o e acomodo-me. ultimamente converso pouco, suponho que seja normal... os monólogos interiores têm andado a sobrepor-se às cordiais trocas de palavras sobre o tempo, sobre a comida, sobre o trabalho - "tem aí muito trabalho dr.ª"... um dia ainda me descaio e por cima de todos outros adjectivos (lisboeta, demasiado nova, inexperiente, calada) ainda me vai calhar um "a dr.ª tem um parafuso a menos, coitada"... dou comigo a pensar que ainda é terça, quando já é quarta... não me conseguindo lembrar do que fiz na segunda. há quem, conhecendo-me desde sempre, já diga que ando de humor instável, há quem, não me conhecendo de lado nenhum, diga que ando com má cara, doente. talvez isto não ande bem, mas entre a burocracia constante, os momentos caricatos, as obrigações absurdas, há todos aqueles casos que levo para casa, que levo para lisboa, no carro, que discuto comigo mesma no supermercado, no duche, os que têm de ser resolvidos, os que quero resolver bem e leio e releio e tento pensar em todas as soluções possíveis e dou comigo a duvidar, se calhar gosto mesmo disto.
ainda assim, há que mudar a banda sonora.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Stop and Hear the Music

Um tipo desce na estação de metro vestindo jeans, t-shirt e boné, encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que por ali passa, bem na "rush hour" matinal.

Durante os 45 minutos que tocou o instrumento, foi praticamente ignorado pelos transeuntes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, que executava peças consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tocara no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a “bagatela” de 1000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

(recebido via e-mail)

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/04/04/AR2007040401721.html

terça-feira, 12 de maio de 2009

podia acabar o mundo

e eu só me dava conta uma semana depois.... enterrada no meu gabinete kafkiano, onde os processos se reproduzem a uma velocidade alucinante, tentando seguir regras não escritas, crípticas, mas óbvias e absolutamente necessárias para qualquer funcionário (parece mesmo uma cena tirada do Processo)... dizia eu, não saberia do fim do mundo... ainda não percebi onde se compram jornais, na terra em que anda tudo de carro e que às dez da noite se torna numa cidade fantasma, dou comigo preocupada com com a adequação de determinados factos ao artigo do Código Penal que não me sai da cabeça, enquanto compro detergentes... ah e estão 9 graus lá fora... as senhoras da limpeza, que andam sempre aos pares, dizem cheias de orgulho, isto é verão doutora! - descaem-se nos sorrisos generosos - apostam consigo mesmas como não aguento cá um inverno.

domingo, 3 de maio de 2009

este é o primeiro dia do resto da minha vida?

A 400 quilómetros de tudo o que conheço ainda me estou a habituar à ideia, deixo aqui algumas notas destes dias (em que ainda não há muito para contar)
  • a constante oscilação entre "sr.ª doutora" e "menina" ainda me tira do sério, dá-me uma vontade de rir tremenda, mas não me descaio...
  • guardo para mim a ideia de que o percurso casa - trabalho é perfeito para ser percorrido de bicicleta, mas o melhor é mesmo ir a pé, porque numa terra em que se vai de carro para todo o lado, ir a pé já é suficientemente caricato, ir de bicicleta seria tentar a sorte...
  • a simpatia com que se recebe por estes lados e a comida (!) são os argumentos fortes contra a nova livraria da ler devagar e a vontade de ir para o terraço.

*sim, já tenho net e brevemente umas águas-furtadas...