Artigo 406º do Código Civil
Eficácia dos contratos
1.O contrato deve ser pontualmente cumprido, e só pode modificar-se ou extinguir-se por mútuo consentimento dos contraentes ou nos casos admitidos na lei.
Isto é senso comum, isto é algo que qualquer aluno do 2º ano de Direito sabe de cor e no entanto...
Comecei por ouvir, numa conversa de amigos, que o King Card (cartão que possibilita o acesso às salas de cinema dos cinemas Medeia e Millenium , mediante uma prestação mensal ou anual) ia deixar de ser aceite nas salas do grupo Medeia. Achei que os meus amigos tinham percebido mal, não é possível alterar um contrato de um momento para o outro – afinal era apenas a minha veia de aluna finalista de Direito a falar mais alto.
Fui à página online do Grupo Medeia e nem quis acreditar, a notícia do lançamento de um novo cartão do mesmo género (mas desta vez apenas para as salas de cinema deste grupo) é dada com a maior naturalidade e até se lembram dos actuais clientes do King Card: estes, se quiserem aderir (agora que o antigo se tornou obsoleto) não têm de pagar os 5 euros do custo do cartão! É no mínimo simpático da parte deles, já que aqueles que como eu pagaram a anuidade do King Card se vêm, de um momento para o outro, privados de metade das salas de cinema que dispunham, no momento da celebração do contrato.
Ainda mais interessante é a notícia dada na página do Cinecartaz (Público online):
Primeiro, tem como título: “Medeia Card: Para os que não gostam de cinema com pipocas” – não sei se era eu que já estava irritada com o assunto, mas achei este título completamente idiota. Não sei quem escreveu esta notícia, mas achar que o que está em causa é separar o trigo do joio – os cinéfilos a sério, pseudo- intelectuais que nunca na vida iriam pegar num pacote de pipocas, para não estragar aqueles maravilhosos filmes onde o silêncio de meia hora é dogma; dos outros, pobres coitados, que vão simplesmente ao cinema, e, às vezes, até gostam de comprar um pacote de pipocas – é não ter o mínimo de senso de dever de informação.
Segundo, depois deste início maravilhoso, lá se põe em causa a situação dos actuais clientes do King Card, parece que quem quiser pode trocar para este cartão, claro que assim a situação inverte-se e deixa de se ter acesso às salas do Millenium (mas o jornalista não tem a minha veia jurídica, a situação não gerou mais perguntas). Sobre este ponto é ainda interessante referir que a página do Grupo Medeia não faz qualquer menção a esta possibilidade.
Por fim: sei que isto não é um assunto de interesse nacional, ou algo pelo qual se deva perder o sono, no entanto, acho que são exemplos como este que mostram o quanto as mais básicas regras de Direito se afastam daquilo que de facto se passa na realidade portuguesa. Quando algo assim é anunciado publicamente, é divulgado pela comunicação social e mesmo assim ninguém aparece a dizer que isto é simplesmente proibido, pergunto-me se não andei a perder tempo nestes últimos cinco anos.
Gosto muito de cinema e sempre preferi ir a salas como as do King ou do Nimas (Grupo Medeia) pelos filmes que passam, e pela sensação que me davam de não estarem simplesmente condicionadas por aspectos económicos, mas por algo mais parecido com um dever de divulgação cultural. Infelizmente, neste momento, sinto que o protesto mais eficaz é o boicote – haverá outra solução?!
Links relacionados:
http://cinecartaz.publico.clix.pt/noticias.asp?id=159247
http://www.medeiafilmes.pt/noticias/noticias.htm
sábado, 30 de setembro de 2006
domingo, 24 de setembro de 2006
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
- Que é que queres deste homem? - perguntou a ama.
- A verdade - disse o general.
- Conheces bem a verdade.
- Não conheço - replicou em voz alta, sem se preocupar com o facto de o criado e a criada, ao ouvirem a sua voz, terem parado com o arranjo de flores e olhado para cima. Mas logo a seguir baixaram o olhar e continuaram, mecanicamente, a arrumação. - É mesmo a verdade que não conheço.
- Mas conheces a realidade - disse a ama numa voz aguda, ofensiva.
- A realidade não é a verdade - retorquiu o general. - A realidade é apenas um pormenor. Nem Krisztina conhecia a verdade. Talvez ele, Konrád, soubesse. Agora vou apurá-la - disse calmamente.
Sándor Márai, As velas ardem até ao fim
- A verdade - disse o general.
- Conheces bem a verdade.
- Não conheço - replicou em voz alta, sem se preocupar com o facto de o criado e a criada, ao ouvirem a sua voz, terem parado com o arranjo de flores e olhado para cima. Mas logo a seguir baixaram o olhar e continuaram, mecanicamente, a arrumação. - É mesmo a verdade que não conheço.
- Mas conheces a realidade - disse a ama numa voz aguda, ofensiva.
- A realidade não é a verdade - retorquiu o general. - A realidade é apenas um pormenor. Nem Krisztina conhecia a verdade. Talvez ele, Konrád, soubesse. Agora vou apurá-la - disse calmamente.
Sándor Márai, As velas ardem até ao fim
sábado, 9 de setembro de 2006
Trapped in thoughts about words
Humpty Dumpty: When I use a word, it means just what I choose it to mean - neither more nor less.
Alice: The question is, whether you can make words mean so many different things.
Humpty Dumpty: The question is: which is to be master - that's all.
Alice in Wonderland
Alice: The question is, whether you can make words mean so many different things.
Humpty Dumpty: The question is: which is to be master - that's all.
Alice in Wonderland
terça-feira, 5 de setembro de 2006
A propósito de uma discussão sobre arte
http://fliipices.blogspot.com/
"Like the old ideal of God, the abstraction itself in its nakedness is never directly apprehensible to us. As in the case of God, we can know its manifestations only through works, which, while never completely revealing the total abstraction in the round, symbolize it by the manifestation of different faces of itself in works of art. Therefore, to feel beauty is to participate in the abstraction through a particular agency. In a sense, this is a reflection of the infiniteness of reality. For should we know the appearance of the abstraction itself, we would constantly reproduce only its image. As it is, we have the exhibition of the infinite variety of its inexhaustible facets, for which we should be grateful."
The Artist's reality - Philosophies of Art, Mark Rothko
E não, não acho que tudo possa ser considerado arte - excesso de relativismo leva ao esvaziamento do conceito; mas é um bom assunto para discutirmos um dia :)
"Like the old ideal of God, the abstraction itself in its nakedness is never directly apprehensible to us. As in the case of God, we can know its manifestations only through works, which, while never completely revealing the total abstraction in the round, symbolize it by the manifestation of different faces of itself in works of art. Therefore, to feel beauty is to participate in the abstraction through a particular agency. In a sense, this is a reflection of the infiniteness of reality. For should we know the appearance of the abstraction itself, we would constantly reproduce only its image. As it is, we have the exhibition of the infinite variety of its inexhaustible facets, for which we should be grateful."
The Artist's reality - Philosophies of Art, Mark Rothko
E não, não acho que tudo possa ser considerado arte - excesso de relativismo leva ao esvaziamento do conceito; mas é um bom assunto para discutirmos um dia :)
At home
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
Dead lay in pools of maroon below
Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
But we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recessed lady's breast
How could i forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Dropped wide open
Just like the day
Like the day i heard
Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Try to forget this...
Try to erase this...
From the blackboard.
(Pearl Jam, Jeremy)
(Grande concerto, grande companhia, grande discurso em português "por volta de 1800 um barco português chegou ao Hawaii...")
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
Dead lay in pools of maroon below
Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
But we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recessed lady's breast
How could i forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Dropped wide open
Just like the day
Like the day i heard
Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Try to forget this...
Try to erase this...
From the blackboard.
(Pearl Jam, Jeremy)
(Grande concerto, grande companhia, grande discurso em português "por volta de 1800 um barco português chegou ao Hawaii...")
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
terça-feira, 29 de agosto de 2006
domingo, 20 de agosto de 2006
Paredes de Coura 2006

Chuva, muita chuva a regar um festival onde os impermeáveis começam a ser o traje oficial de todos os resistentes E música daquela que se entranha e faz esquecer o frio, a lama e a água a chegar aos ossos e nos transporta para aquele universo onde não importa se de um lado tenho alguém de trinta e muitos que sabe as letras de Bauhaus de cor e do outro um grupo de putos rockabillies que teimam em afirmar que há modas que nunca morrem- e eu no meio, simplesmente feliz por estar ali.
Gangs of four partiram um micro-ondas com um taco de baseball , Karen O entrou de impermeável (fashion como sempre) e transpirou sexualidade, Block Party mostrou que é possível impressionar com a simplicidade de quem está genuinamente feliz de estar ali, !!! fizeram a festa e ditaram o ritmo e Bauhaus montaram um teatro gótico em que a chuva (incessante) parecia apenas mais um adereço.
Todos eles mostraram o que é que são grandes concertos (com boa música, feita não para entreter, mas para transcender); todos eles me convenceram que valia a pena estar ali: debaixo de chuva, com uma tenda que mais parecia um lago, a dormir no carro, a tomar banhos gelados, a comprar impermeáveis e camisolas – sem queixas, como se tudo isto não fossem contrariedades, mas apenas parte do cenário de um festival memorável.
quarta-feira, 9 de agosto de 2006

"I woke up as the sun was reddening; and that was the one distinct time in my life, the strangest moment of all, when I didn't know who I was- I was far away from home, haunted and tired with travel, in a cheap hotel room I'd never seen, hearing the hiss of steam outside and the creak of the old wood of the hotel, and footsteps upstairs, and all the sad sounds, and I looked at the cracked high ceiling and really didn't know who I was for about fifteen strange seconds."
"And for just a moment I had reached the point of ecstasy I had always wanted to reach, which was the complete step across chronological time into timeless shadows, and wonderment in the bleakness of the mortal realm, and the sensation of death kicking at my heels to move one, with a phantom dogging its own heels, and myself hurrying to a plank where all the angels dove off and flew into the holy void of uncreated emptiness, the potent and inconceivable radiances shining in bright Mind Essence, innumerable lotus-lands falling open in the magic mothswarm of heaven."
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
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