sábado, 30 de setembro de 2006

domingo, 24 de setembro de 2006

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

- Que é que queres deste homem? - perguntou a ama.
- A verdade - disse o general.
- Conheces bem a verdade.
- Não conheço - replicou em voz alta, sem se preocupar com o facto de o criado e a criada, ao ouvirem a sua voz, terem parado com o arranjo de flores e olhado para cima. Mas logo a seguir baixaram o olhar e continuaram, mecanicamente, a arrumação. - É mesmo a verdade que não conheço.
- Mas conheces a realidade - disse a ama numa voz aguda, ofensiva.
- A realidade não é a verdade - retorquiu o general. - A realidade é apenas um pormenor. Nem Krisztina conhecia a verdade. Talvez ele, Konrád, soubesse. Agora vou apurá-la - disse calmamente.

Sándor Márai, As velas ardem até ao fim

sábado, 9 de setembro de 2006

Trapped in thoughts about words

Humpty Dumpty: When I use a word, it means just what I choose it to mean - neither more nor less.

Alice: The question is, whether you can make words mean so many different things.

Humpty Dumpty: The question is: which is to be master - that's all.

Alice in Wonderland

Richard Peter sen.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Barbara Klemm

Leonid Breschnew, Willy Brandt, Bonn 1973

A propósito de uma discussão sobre arte

http://fliipices.blogspot.com/

"Like the old ideal of God, the abstraction itself in its nakedness is never directly apprehensible to us. As in the case of God, we can know its manifestations only through works, which, while never completely revealing the total abstraction in the round, symbolize it by the manifestation of different faces of itself in works of art. Therefore, to feel beauty is to participate in the abstraction through a particular agency. In a sense, this is a reflection of the infiniteness of reality. For should we know the appearance of the abstraction itself, we would constantly reproduce only its image. As it is, we have the exhibition of the infinite variety of its inexhaustible facets, for which we should be grateful."

The Artist's reality - Philosophies of Art, Mark Rothko

E não, não acho que tudo possa ser considerado arte - excesso de relativismo leva ao esvaziamento do conceito; mas é um bom assunto para discutirmos um dia :)
At home
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
Dead lay in pools of maroon below
Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
But we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recessed lady's breast
How could i forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Dropped wide open
Just like the day
Like the day i heard
Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Try to forget this...
Try to erase this...
From the blackboard.

(Pearl Jam, Jeremy)

(Grande concerto, grande companhia, grande discurso em português "por volta de 1800 um barco português chegou ao Hawaii...")

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Da necessidade nasce engenho



Acampamento no parque de estacionamento público de Paredes de Coura durante o festival

silêncio

segunda-feira, 21 de agosto de 2006


Danke für das Postkarte :)
Was hast du für Bands gehört?
Küsse

domingo, 20 de agosto de 2006

Paredes de Coura 2006


Chuva, muita chuva a regar um festival onde os impermeáveis começam a ser o traje oficial de todos os resistentes E música daquela que se entranha e faz esquecer o frio, a lama e a água a chegar aos ossos e nos transporta para aquele universo onde não importa se de um lado tenho alguém de trinta e muitos que sabe as letras de Bauhaus de cor e do outro um grupo de putos rockabillies que teimam em afirmar que há modas que nunca morrem- e eu no meio, simplesmente feliz por estar ali.
Gangs of four partiram um micro-ondas com um taco de baseball , Karen O entrou de impermeável (fashion como sempre) e transpirou sexualidade, Block Party mostrou que é possível impressionar com a simplicidade de quem está genuinamente feliz de estar ali, !!! fizeram a festa e ditaram o ritmo e Bauhaus montaram um teatro gótico em que a chuva (incessante) parecia apenas mais um adereço.
Todos eles mostraram o que é que são grandes concertos (com boa música, feita não para entreter, mas para transcender); todos eles me convenceram que valia a pena estar ali: debaixo de chuva, com uma tenda que mais parecia um lago, a dormir no carro, a tomar banhos gelados, a comprar impermeáveis e camisolas – sem queixas, como se tudo isto não fossem contrariedades, mas apenas parte do cenário de um festival memorável.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006





"I woke up as the sun was reddening; and that was the one distinct time in my life, the strangest moment of all, when I didn't know who I was- I was far away from home, haunted and tired with travel, in a cheap hotel room I'd never seen, hearing the hiss of steam outside and the creak of the old wood of the hotel, and footsteps upstairs, and all the sad sounds, and I looked at the cracked high ceiling and really didn't know who I was for about fifteen strange seconds."


"And for just a moment I had reached the point of ecstasy I had always wanted to reach, which was the complete step across chronological time into timeless shadows, and wonderment in the bleakness of the mortal realm, and the sensation of death kicking at my heels to move one, with a phantom dogging its own heels, and myself hurrying to a plank where all the angels dove off and flew into the holy void of uncreated emptiness, the potent and inconceivable radiances shining in bright Mind Essence, innumerable lotus-lands falling open in the magic mothswarm of heaven."

quinta-feira, 3 de agosto de 2006


Somos retratos sem alma
Reflexos de nós mesmos

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Marcel Broodthaers

Retrato de Maria com tripé, 1967

sexta-feira, 28 de julho de 2006

:)


Dalí, Persistencia de la memoria
Toda a vida se espantara com essa faculdade que as ideias têm de se aglomerarem friamente como cristais, formando estranhas figuras vãs; ou crescerem como tumores devorando a carne que os concebeu; ou assumirem monstruosamente certos contornos da pessoa humana, à maneira dessas massas inertes que algumas mulheres dão à luz e que, em suma, não são mais do que um sonho da matéria. Uma boa parte dos produtos do espírito não passava também de disformes sombras lunares. Outras noções, mais claras e nítidas, como que fabricadas por um mestre artesão, eram, porém, como aqueles objectos que, à distância, iludem; imensamente admiráveis eram os seus ângulos e arestas; e todavia não passavam de grades onde o entendimento a si mesmo se aprisiona, abstractas ferragens que a ferrugem da falsidade não tardaria a carcomir.

Marguerite Yourcenar, A Obra ao Negro