sábado, 11 de fevereiro de 2006

trying not to forget common places

Studying Human Rights

"It was never people who complained of the universality of human rights, nor did the people consider human rights a Western or Northern imposition. It was often their leaders who did so."
Kofi Annan

"The principle of the protection of human rights is derived from the concept of man as a person and his relationship with society which cannot be separated from universal human nature. The existence of human rights does not depend on the will of a State; neither internally on its law or any other legislative measure, nor internationally on treaty or custom, in wich the express or tacit will of a state constitutes the essential element."
Japanese judge Tanaka (ICJ)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006


Little quiet place, that makes you believe in magic….. after all the running in the past days….that’s all I wish for.
Schöne Abendessen heute, danke Mädchens, mein Karma fühlt sich schon besser. Heheheh ;)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

POEMA EM LINHA RECTA


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo,
absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos

domingo, 5 de fevereiro de 2006

"liberdade de expressão"


"Posso não estar de acordo com o que dizes, mas luto para que o possas dizer" - é isto que significa respeito pela liberdade de expressão.



Depois da Síria, foi a representação diplomática da Dinamarca em Beirute, que foi alvo da ira dos muçulmanos. O edifício foi saqueado e queimado, devido à publicação das imagens de Maomé.
A Dinamarca aconselhou já os seus cidadãos a deixar o Líbano. O país escandinavo viu assim a segunda representação diplomática destruída em dois dias, por causa das caricaturas de Maomé, publicadas há 4 meses, num jornal dinamarquês, desde então reproduzidas por vários jornais europeus.

Não existe neste caso uma luta entre quem ofendeu e quem foi ofendido, existe sim, uma manifesta violação do respeito pelo direito fundamental à liberdade de expressão.
E se neste momento é o poder de manupulação do radicalismo islâmico que assusta o mundo ocidental, eu questiono-me sobre quais os benefícios que podem vir de qualquer sociedade onde não existe separação entre o Estado e a Igreja.
Depois de ter lido a posição do Vaticano sobre os recentes acontecimentos (Público on-line: Em comunicado, o Vaticano acrescenta que o direito à liberdade de expressão não inclui "o direito de ferir os sentimentos religiosos dos crentes". ), não consegui deixar de pensar que não estaríamos muito melhor.

sem comentários


Photo von Anne Laure

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

origens

Adriana - (Latim) - Da cidade de Ária, região banhada pelo mar Adriático.Ádria vem de Adar, deus do fogo, uma das divindades adoradas pelos heráclidas, povo descendente de Héracles.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006



Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Unforgettable

Itália

Portugal e Brasil


Itália novamente - eles são muitos!!


Espanha


França


Itália, Espanha, Portugal e França :)


Polónia - sem dúvida o par da noite!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Parabéns Mozart!


Hoje às 20h00 Salzburgo assinala os 250 anos do nascimento de Mozart com um rebate de sinos e um espectáculo lazer. Durante todo o ano a cidade será palco de diferentes espectáculos, incluíndo a representação global das óperas do compositor.

Em Portugal, entre outros:

Augustin Dumay, Lise Berthaud e Orquestra Nacional do Porto
Dia 27 de Janeiro, exactamente 250 anos após o nascimento de Mozart, a ONP junta-se às celebrações com um concerto totalmente dedicado ao grande compositor. Os outros motivos para não perder o serão na Casa da Música chamam-se Augustin Dumay e Lise Berthaud, dois nomes de destaque no panorama solístico internacional.
Dumay é dos mais aclamados violinistas da sua geração. É bem conhecido pelas suas gravações para a Deutsche Gramophone, mas também pelo trabalho desenvolvido com a pianista portuguesa Maria João Pires.
A jovem Berthaud é uma promissora violetista que, no ano passado, com apenas 23 anos, foi uma das finalistas do Concurso Internacional de Genebra.
Juntos, vão executar a Sinfonia Concertante para Violino e Viola.
(Fonte: Guia do Lazer)

Curiosidade: O catálogo geral das obras de Mozart foi realizado pelo botânico, miralogista e biógrafo musical alemão Ludwig Köchel (1800 - 1877); daí a letra K que aparece frequentemente junto ao título de suas obras (ou KV, que significa Köchel Verzeichnis, catálogo Köchel). Köchel catalogou as obras de Mozart em ordem cronológica, da mais antiga para a mais recente, sendo K1 um minueto para cravo, a primeira obra catalogada, e K626 o Requiem, obra inacabada.

Procurem o catálogo, disponível na internet, e hoje oiçam uma "nova" obra, um concerto, missa ou ópera que ainda não conheçam... há muito por onde escolher.


terça-feira, 24 de janeiro de 2006

O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios.

Marguerite Yourcenar

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

bola de sabão

Loja da Peek & Cloppenburg
Do arquitecto italiano Renzo Piano

sábado, 21 de janeiro de 2006

chove, chove, sem parar!

Presidenciais








"Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional. Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações - a liberdade!"

Prosas da Época de Coimbra, Antero de Quental

Apesar de já ter feito a minha escolha há muito tempo, não vou poder votar devido à incompetência do consulado português. Talvez por isso senti-me mais inclinada a fazer um post sobre a importância de votar do que sobre o candidato por mim escolhido.




















Dreams are my favorite part of reality

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

good dog!
















Não sei onde foste arranjar esta imagem, mas adorei e decidi partilhar.
P.S. mais eu!

terça-feira, 17 de janeiro de 2006


"Quando leio um livro tenho a impressão de lê-lo somente com os olhos, mas de vez em quando deparo com trecho, talvez apenas uma frase, que tem uma significação para mim, e ele torna-se parte de mim; tirei do livro tudo o que me é de alguma utilidade, e não posso extrair mais, ainda que o releia uma dúzia de vezes. Veja, parece-me que cada um de nós se assemelha a um botão de flor fechado, e a maior parte do que lê e faz não faz efeito nenhum; mas há certas coisas que têm uma significação particular para a gente, e elas abrem uma pétala; e as pétalas abrem uma por uma, e no final a flor está aí."
A Servidão Humana, Somerset Maugham

Estou novamente naquela altura do ano em que as minhas leituras se resumem a livros de Direito. Os exames são em Fevereiro, por isso ainda vai demorar até ter tempo para encontrar mais um livro que se torne parte de mim.
(Agradeço sugestões para quando estiver novamente livre.)

Boa noite e boas leituras

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

amanhã...

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...Sim, o porvir...

Álvaro de Campos

Tenho saudades do bairro alto, onde graffitis relembram poesia.